Entrevista Francisco, El Hombre: “Não nascemos pra ser muro em branco”

Foto: Rodrigo Gianesi / Reprodução – Facebook

Com algum entusiasmo, Francisco, El Hombre chega a Curitiba para um show no John Bull Pub nesta sexta-feira, dia 28 – na ocasião, também se apresenta o combo uruguaio Cuatro Pesos de Propina (juntas, as bandas têm excursionado por Brasil, Argentina e Uruguai). Os ingressos esgotados com antecedência dão o tom de um certo reboliço em torno da banda braso-mexicana, que cresceu em projeção e quantidade de fãs em pouquíssimo espaço de tempo: se, no ano passado, Franscisco, El Hombre coube dentro da pequena garagem da Arnica Cultural, neste 2017, o grupo se apresentou no Psicodália para uma multidão que sabia as letras e as cantava a plenos pulmões, culminando em um dos melhores shows do festival.

Em maio, foi a principal atração do palco alternativo do Coolritiba e promoveu uma performance memorável, embalando o público com refrãos contagiantes: “O dólar vale mais que eu, eita, fudeu“; “Já sei pra onde vou: eu vou sentir o calor da rua“; e um “Não vou descansar, vou até o sol raiar” que, ao vivo, transforma-se em “…até o Temer derrubar”.

Com letras que dão forças e melodias que incendeiam, Francisco, El Hombre e o álbum Soltasbruxa dão um calor no coração de quem tem esperanças em um mundo um pouco mais positivo, e a partir daí é possível começar a explicar o repentino crescimento do grupo.

Viagens explicativas à parte, conversei por e-mail com o baixista Rafael Gomes. Vem:

Tenho acompanhado a banda desde o ano passado e é impressionante como a projeção de vocês tem crescido rapidamente nesse curto espaço de tempo. Como isso tem reverberado aí do lado esquerdo do peito de vocês?
É bem louco, hein? Ninguém esperava isso quando tudo começou há um tempo atrás, sabe​?​ A gente só queria conhecer uns lugares novos e a música era a melhor desculpa. Acontece que é muito difícil passar por essa experiência de se jogar na estrada e passar ileso. A curiosidade de conhecer o mundo já fez com que o destino ensinasse muita coisa pra gente. ​Sempre cantamos coisas nas quais acredit​ávamos​, porque era o que saía naturalmente do peito. Ver, com o tempo, o quanto isso também era importante pra outras pessoas tem sido muito energizante. Muitos de nós achávamos que dentro de​ pouco tempo iríamos estar fazendo qualquer outra coisa da vida que não a música, mas resolvemos assumir essa responsabilidade que é dar voz a pensamentos que sabemos que não são só nossos, mas de tod​a​ uma geração de descontentes. Não nascemos pra ser muro em branco.

​​No clipe de Triste, Louca ou Má no YouTube, há vários comentários de mulheres que se sentiram bastante tocadas de alguma forma com a música. A banda já se vê obrigada a assumir algum protagonismo nesse aspecto? Ou isso tem surgido de forma espontânea?
Isso sempre veio espontaneamente. A música surgiu como um desabafo da Ju [Juliana Strassacapa, vocal e percussão], antes de mais nada. Nem ela, nem ninguém achou que teria a repercussão que teve. Cada um dentro da banda aprendeu muito desde a primeira vez que lemos a letra, mas​,​ principalmente​,​ quando v​i​mos esses relatos e percebemos quanto a nossa sociedade tem muito a caminhar ainda em direção a uma vivência sem opressões.

​​Francisco, El Hombre assume um posicionamento político bem definido em uma época de polarização. Vocês já tiveram algum tipo de problema com isso?
Vez ou outra a gente encontra uns comentários raivosos pela internet, mas nada que a gente ​sinta como um problema real, mesmo. ​Apesar de ironizarmos questões que acreditamos serem absurdas (como o fato de em pleno 2017 elegermos o congresso mais conservador desde 1964​ – c​oincidentemente, o ano do outro golpe), nossa via é e sempre vai ser a do diálogo.

Ainda sobre política… é possível olhar com algum otimismo para o futuro próximo? Ou estamos perdidos?
Enquanto houver esperança, vai existir um outro futuro​, m​as temos que trabalhar nisso. Unirmo​-nos​ uns aos outros, construir um futuro mais lindo, pleno em respeito e com menos desigualdades.

​​Como é a relação de vocês com a galera de Curitiba? Conhecem bandas e artistas daqui? O que gostam na cidade?
A gente ama Curitiba! Por um tempo ficamos muito chateados de não conseguirmos vir aqui com a frequência que gostaríamos (risos), mas ultimamente isso tem sido diferente e enchido nossos corações de amor! Fortalecemos muito amizades que ​têm ​sido cada vez mais importantes pra gente​,​ como a Bruna Lucchesi (Yanay), Bernardo Bravo, Orquestra Friorenta, toda a Trupe Arnica – Trombone de Frutas, Mulamba, Bananeira Brass Band, A Banda Mais Bonita da Cidade, etc… Fora amizades mais antigas – da nossa época mais punk – como o pessoal do Abraskadabra e Lou Dog.

Francisco, El Hombre no Coolritiba – Foto: Coagula / Reprodução – Facebook

​​A apresentação do Francisco, el Hombre no festival Coolritiba foi um show e tanto. O que podemos esperar do show no John Bull Pub (em um espaço menor e mais quentinho)?
Calor e amor! A gente ama estar perto da galera e poder cantar a uma só voz.

Planos de um disco ou novos lançamentos para breve?
A gente tem produzido muita coisa nos últimos tempos​.​ Aqui o bonde não páááára… Pra essa turnê com o Cuatro Pesos de Propina, produzimos um split​,​ ​​ROMPEFRONTERA, ​no qual​ cada banda reinterpretou, em sua linguagem, uma canção da outra banda. Fizemos nossa Minha Revolução e eles regravaram Calor da Rua. Vamos participar de uma coletânea argentina reinterpretando A Ponte, originalmente da galera do La Franela. Tem um som barulho bom aí no forno que produzimos com o pessoal do Zaíra e, bom… dizem que ainda esse ano tem coisa nova. O que vem por aí? Só o universo sabe!

Serviço:
Francisco, El Hombre e Cuatro Pesos de Propina em Curitiba
Local: John Bull Pub – Rua Mateus Leme, 2204
Data: 28 de julho de 2017
Abertura da casa: 22h
Ingressos esgotados
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Audac volta com som ensolarado: veja o clipe de “Hollanda”

Audac – Foto: Reprodução / Facebook

Depois de algum tempo sem novidades, o Audac está com música e clipe inéditos: Hollanda é a nova canção do grupo. Passados alguns anos desde que o conjunto ganhou alguma projeção em 2013 com uma vibe meio sombria, a banda retorna com um som bem mais ensolarado – confira no fim do post.

Hollanda é uma homenagem a Orlandina, a vó da vocalista Alyssa Aquino. “Ela não gostava desse nome e mudou para Hollanda. Dona Hollanda. Ela faleceu em 2015 e essa música é para ela”, contou Alyssa ao Defenestrando.

O clipe também vem carregado de lembranças, já que as imagens em super-8 foram feitas por Clésius Aquino (pai de Alyssa), provavelmente, no fim da década de 70 ou início da década 80. O vídeo mostra uma Curitiba nostálgica, bem como cenas de uma viagem pela rota de trem entre Paranaguá, Antonina e a capital.

Atualmente, o Audac é Alyssa e Matheus Reinert. Em Hollanda, há a participação especial de Yan Lemos e do produtor BRZLN AIR. Novas músicas estão nascendo e o Audac deve lançar mais material ainda neste ano. Enquanto isso não acontece, curta o som e o clipe lançados no último sábado, dia 15/07:

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“A Dor dos Outros”: Confira o primeiro single de Diego Perin

Diego Perin já passou por várias grupos de Curitiba – entre eles, a Banda Gentileza, na qual tocou baixo por mais de uma década. Passado um ano desde o fim da Gentileza, Diego lança seu primeiro trabalho solo: A Dor dos Outros é o single que marca o DEBUT sob o seu próprio nome.

Lançada nesta quarta-feira, dia 19/07, A Dor dos Outros acompanha um clipe produzido por ele e por Luana Angreves, além da participação de vários amigos. Sobre arriscar o primeiro lançamento de sua autoria, Diego contou ao blog:

Minha carreira começou e se desenvolveu a partir de composições de outras pessoas. Não que durante todos esses anos não houvesse tentativas de compor algo meu, mas todas incompletas. Até me acostumei com isso. Quando caiu a ficha do fim da Banda Gentileza, eu só tinha um pensamento: “Ou você se coça, ou se aposenta”. A decisão foi fácil. Sorte minha que, nessa trajetória, acumulei grandes amigos que me ajudaram a dar o pontapé inicial. O time, até agora, conta com o Vinicius Nisi, João Taborda e o Lucas Ajuz; encabeçados pelo já lendário Rodrigo Lemos que assina a produção e toca de tudo nessas duas primeiras faixas.

Diego adiantou que já há outra música vindo por aí: Salto deve ser lançada em agosto. E o plano é lançar um álbum completo no primeiro semestre de 2018. Sem uma banda de acompanhamento formada por enquanto, Diego ainda não promete shows de suas músicas para um futuro próximo – mas você poderá encontrá-lo no palco tocando baixo ao lado de Estrela Leminski e Téo Ruiz, que logo chegam com novidades por aí.

Confira A Dor dos Outros:

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Guia extrassensorial para cinco músicas selecionadas [Def-Relevo #04]

O Defenestrando mantém uma coluna mensal meio maluca sobre música ou o que mais der na telha no Jornal RelevO. Se você não sabe, o RelevO é um jornal literário produzido em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, e distribuído gratuitamente em várias cidades do país. Abaixo, segue o texto da coluna da edição de julho. Em agosto, tem mais. (Leia as colunas anteriores aqui)

Imagem: Wikimedia Commons

Juan, El Marinero, Constantina & Franny Glass (2012)
Às vezes, quando não há ninguém olhando, Juan tira as botas de chuva, põe os pés para fora de algum barquinho emprestado e caminha sobre o mar. Sem qualquer drama, sem qualquer efeito especial, sem qualquer frescura. Apesar da discrição, o hábito ficou bastante conhecido na pequena vila de pescadores, onde alguns pensam que ele é um peixe e outros pensam que isso é uma idiotice. As crianças não estão nem aí e, sabendo que isso é o mais próximo que chegarão de um astro em todas as suas vidas, correm para tirar fotos com ele e pedir autógrafos. Juan, o marinheiro, tem quarenta anos de idade, apesar de aparentar ter apenas dez. E alguns pensam que tudo isso é uma idiotice.

Que Sera, Wax Tailor (2005)
Cenas de um filme noir. Alguém com um chapéu que cobre os olhos e um sobretudo com a gola levantada até a altura do nariz se esgueira pelas sombras de um metrô praticamente vazio. Na estação indicada previamente, a pessoa desembarca, sobe as escadas e segue pela noite sem se incomodar com a chuva grossa, as poças de água e as pilhas de lixo no chão. Dobra uma ou duas esquinas e entra por uma porta que deveria estar destrancada. No bolso, um volume pesado. Quem irá morrer?

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“Ouça Este Livro!” 20 playlists preparadas por Cassiano Fagundes

Não sei você, mas eu sempre tive um apreço especial por playlists. Quando ainda era um ABORRESCENTE, aprendi no filme Alta Fidelidade que uma playlist deve ser elaborada com cuidado e pode dizer muitas coisas sobre quem a fez e sobre quem irá escutá-la. Eu cheguei a trabalhar profissionalmente com isso no falecido PMC (o serviço de streaming de música da GVT) e, lá, pude levar essa análise adiante: uma playlist pode fazer um belo recorte musical, histórico e social do tempo em que se vive, do tempo em que as músicas em questão foram lançadas ou… servir apenas para atrair cliques – “ouça os hits do momento!”

Na época do PMC, um dos meus colegas de trabalho foi o Cassiano Fagundes. Cassim, como é conhecido na QUEBRADA, passou por bandas importantíssimas do cenário alternativo curitibano – como o Magog, que fez história por aqui nos anos 90. Roqueiro por natureza e grande conhecedor da música, a cada dia, entre uma playlist e outra, Cassim contava histórias incríveis e enciclopédicas sobre o mundo da música e fazia o trabalho ficar ainda mais divertido.

Esses dois fatores agora estarão combinados em um livro novinho em folha – Ouça Este Livro: 20 Playlists Surpreendentes é o novo título da editora independente Barbante. O impresso traz seleções musicais cuidadosamente preparadas por Cassiano, sempre acompanhadas de histórias inusitadas ou pouco conhecidas da música pop universal e de astros como Bowie, Chuck Berry, Cher, Evis e Jack White, entre outros. Leitores poderão acessar e ouvir as playlists usando QR Codes.

O evento de lançamento acontece nesta quarta-feira, dia 19/07, na Itiban Comic Shop. Haverá um bate-papo no qual Cassiano estará acompanhado do ilustrador Guilherme Caldas, que fez um posfácio em quadrinhos para Ouça Este Livro!. A mediação será da grande Sandra Carraro.

Foto: Reprodução

Serviço:
Lançamento – Ouça Este Livro: 20 Playlists Surpreendentes
Bate-papo com Cassiano Fagundes e Guilherme Caldas – Mediação: Sandra Carraro
Local: Itiban Comic Shop – Avenida Silva Jardim, 845 (Curitiba – PR)
Data: 19 de julho de 2017, quarta-feira, 19 horas
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Marrakesh conta sobre tocar no Primavera Sound, em Barcelona

Marrakesh – Foto: Reprodução/Instagram

Entre o finalzinho de maio e o começo de junho, a banda curitibana Marrakesh simplesmente viajou para Barcelona e se apresentou no Primavera Sound, reconhecido como um dos maiores e melhores festivais de música de que se tem notícia. Foi uma bela surpresa: afinal, apesar das ótimas músicas, o Marrakesh ainda está bem longe de ter uma grande projeção, e não é todo dia que uma banda do Paraná integra o mesmo lineup que gente como Arcade Fire, Bon Iver, The XX, Solange, Grace Jones, Van Morrison e mais uma galera do tipo. (Elza Soares, Liniker & Os Caramelows, Tiê e Seu Jorge tocando Bowie em português foram alguns dos brasileiros que também participaram do festival).

Para matar a curiosidade, conversei com o Bruno Tubino, um dos integrantes do Marrakesh, para saber sobre como foi essa experiência. Olha:

Como que surgiu esse negócio louco de tocar no Primavera Sound?
Veio do nada, a gente recém tinha lançado o nosso single de tributo a Vinicius de Moraes, o Canto de Ossanha. Estávamos 100% focados em compor nosso álbum novo quando recebemos o convite da Balaclava Records para enviar nosso material para o pessoal do Primavera Sound. A gente já achou uma pira ter a chance de se apresentar fora do país com um lineup recheado de artistas geniais (que, por coincidência, eram os artistas que mais estavam nos inspirando na época) e ser aprovado foi uma surpresa. A ficha não caiu até a hora em que subimos no palco, haha.

E para fazer isso se concretizar? Foi difícil arcar com os custos da viagem?
Viajar com uma banda (com seis membros na equipe) para fora do país é uma grana, foi tenso, mas conseguimos fazer as coisas acontecerem e aproveitamos bastante cada segundo (e cada centavo) gasto, haha.

Como foi o show? E como é tocar em um festival como o Primavera?
A gente se preparou bem e apresentou um material novo pra galera na Europa. As músicas nem estavam prontas, mas pagamos para ver a reação das pessoas. Acho que em todos os pontos possíveis, foram as duas melhores apresentações da Marrakesh. A recepção do som la fora foi bizarra (no bom sentido). Os equipamentos e o suporte técnico que o artista tem no festival também são cinco estrelas!

O que achou da galera em Barcelona? Vocês fizeram uns contatos, conheceram umas bandas?
O pessoal lá é extremamente educado e respeitoso quando o assunto é assistir um show. Pudemos ver vários shows maravilhosos e presenciar o respeito da galera perante os artistas no palco. A gente tinha acesso a áreas que outros artistas também tinham, então inevitavelmente encontramos alguns ídolos, tipo King Krule, The Growlers e Pond, e por aí vai.

Vocês chegaram a fazer mais shows na Europa?
Infelizmente, não rolou. Quando fomos aprovados para o festival, já estava em cima da hora para marcar uma tour que valesse a pena. O pessoal na Europa tem esse costume de marcar shows com bastante antecedência. Vai ter que ficar pra proxima 🙂

E quais os próximos passos do Marrakesh?
Temos apenas um show marcado em SP dia 29/07 no MIS (Museu da Imagem e do Som). É um evento chamado Music Video Festival. O lance lá vai ser fazer o lançamento de um documentário da viagem, em parceria com a U+MAG, uma revista digital que tem nos apoiado nos últimos meses. Em paralelo a isso, vai rolar um bate-papo com a gente e um show pra fechar o rolê, fora vários outros shows fodas. Depois disso, vamos focar em terminar a produção e gravação do álbum e lançar ele até o fim do ano.

Foto: Reprodução/Instagram

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