“Benvirá”, o EP de estreia de Julien

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Julien Guimarães veio para Curitiba em 2006 para cursar Artes Visuais. No ano seguinte, abandonou o curso para tentar Cinema. Apesar do foco na imagem, Julien também brinca com sons, tanto que compõe desde a adolescência. Em 2013, gravou algumas músicas em um formato bem caseiro e, agora, suas composições ganham um registro mais apurado no EP Benvirá, lançado em dezembro de 2016.

Em cinco faixas, Julien passeia pela musicalidade do samba e da MPB clássica, passando por algum folk e chegando em guitarras levemente distorcidas. São canções repletas de alma – o homem parece estar desprendendo alguns versos há tempos entalados na garganta – em um belo EP de estreia que indica um futuro promissor, se Julien resolver mesmo mergulhar mais a fundo na música.

A Escotilha fisgou a referência no nome e apontou a ligação direta deste EP com o álbum Das Terras de Benvirá, de Geraldo Vandré, gravado na França e lançado pelo cantor paraibano em 1973. Perguntei a Julien sobre o assunto. Segue a resposta:

É um dos meus discos da vida. Um disco que, sempre que ouço, descubro nele uma coisa nova pra gostar. Esse álbum tem uma densidade e uma dor que me impressionam muito e, para o meu EP, acho que dá para fazer um paralelo melancólico do momento político que a gente vive com toda a história do Vandré e desse disco, gravado em exílio durante a ditadura militar.

Mas acho que é uma relação mais sugerida do que incorporada, no sentido de que não é uma referência direta ao disco do Vandré, e nenhuma das canções foi inspirada diretamente no disco ou nas composições dele.

O nome Benvirá tem essa ironia, já que a narrativa do EP vai do colonialismo português ao samba, de uma terra cheia de promessas, de um “vir a ser” em cujas origens está a raiz de muitas das questões que vivemos hoje, de desigualdade, de opressão, de racismo, etc. E as personagens das canções, cada uma é representativa de uma de nossas identidades primeiras (indígena, europeia, africana) lidando com as consequências dessas promessas e violências.

Se você me perguntar, as canções que mais gostei no EP são O Náufrago e Urutau, mas você pode decidir pelos seus próprios ouvidos ao escutar o disco abaixo. Também dá pra ouvir no Bandcamp e no Spotify.

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