A grande viagem do Veenstra pelo Norte e Centro-Oeste

Foto: Divulgação

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Veenstra, o fascinante projeto musical criado por Lorenzo Molossi, está de disco novo: Map of the Limbo foi lançado no dia 28 de dezembro de 2016 e conta a história de Ana, garota que busca encontrar um mapa para os caminhos de sua vida. É claro que esse mapa não existe, e todo o conceito do álbum versa sobre o drama que isso envolve. Se os álbuns anteriores (concebidos, produzidos e gravados quase que inteiramente por Lorenzo) mostravam alguma grandeza e total competência técnica e estilística, Map of the Limbo agora alça voos ainda maiores, já que os companheiros de banda participaram bem mais do processo desta vez – enriquecendo ainda mais o resultado final.

Para divulgar o álbum, o Veenstra embarcou em uma inusitada turnê que incluiu shows em quatro estados brasileiros: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre. Lorenzo topou escrever um relato para o Defenestrando e descrever o que a banda viu e sentiu durante essa road trip. Antes de começar a leitura, recomendo que você clique aqui e dê o play no disco. Porque aí tudo faz sentido.

A viagem começou como uma ideia do Lucas Bieni (que é de Porto Velho – RO e hoje mora em Curitiba), de nos levar com ele para a casa dos avós e nos mostrar Porto Velho e arredores. Com o tempo, decidimos fazer o trajeto até lá de carro pra conhecer o Centro-Oeste e o Norte do Brasil no caminho. Chamamos mais gente pra dividir os custos e logo estávamos exatamente os quatro membros da Veenstra no carro. As coisas foram se encaixando. Terminamos o disco alguns dias antes da partida, depois de quase um ano em pós-produção, e decidimos fazer dessa viagem a turnê de lançamento.

O único show que tínhamos confirmado de antemão era o Festival Desmanche, do selo de mesmo nome, lá em Porto Velho. Na última semana antes da viagem, mandamos mensagens pra artistas de todas as cidades pelas quais passaríamos a fim de conseguir estadia e pelo menos uma apresentação em cada local. Dessa maneira, conseguimos tocar já no segundo dia de viagem, 28/12, em Campo Grande, no Holandês Voador (durante o show, o álbum foi lançado digitalmente). O próximo evento foi o Festival Desmanche: Veenstra se apresentou no dia 05/01 e The Large Quasar Group, projeto solo do Guilherme, no dia seguinte.

Legenda original: "Quase nos perdemos na estrada mas achamos o horizonte mais bonito de todos." - Foto: Reprodução/Facebook

Legenda original: “Quase nos perdemos na estrada mas achamos o horizonte mais bonito de todos.” – Foto: Reprodução/Facebook

Dali, seguimos para Ariquemes – RO, onde tocamos no dia 15/01, no Festival Tesserato. Conseguimos, através do Diogo Soares, vocalista da Los Porongas, fazer três shows em Rio Branco – AC: no Festival LHÉ no Casarão, no dia 16/01; no teatro de arena do SESC-AC, 22/01, com três músicos convidados da cena local (Duda Modesto, Francisco Brito e João Alab); e no bar Loft, 23/01. No meio dessas apresentações em Rio Branco, trocamos conhecimentos, sons e energias com índios Huni Kuî (conhecidos também como Kaxinawá) em Plácido de Castro-AC, o que foi um importantíssimo marco dessa viagem (e certamente de nossas vidas).

Começando o retorno, passamos por Cuiabá – MT e tocamos no Bar do Bigode, na fervente Praça da Mandioca, no dia 28/01. No dia seguinte, gravamos uma apresentação no estúdio Demo Ex Machina, que em breve deve aparecer pelas redes. Descemos para Campo Grande – MS e lá fizemos o último show da turnê, no bar Drama, dia 03/02. Em todos os shows o público foi querido e bastante interessado no que fazíamos ali.

Pessoalmente, por caminhos inesperados, vi um mundo de grandes energias e forças: o extrativismo doentio e as indústrias da carne e da soja contra a constante resistência do ambientalismo e dos povos indígenas. A natureza devolve tudo o que é entregue a ela, bom e ruim, e há cura. E ela é grande, um espírito muito real que influencia o movimento das coisas, inevitavelmente. No Acre esse conhecimento se faz muito presente.

Conheci pessoas que anseiam pela troca e crescimento mútuo, que precisam ser escutadas e vistas. Num âmbito musical, percebi o quanto se fala e é feito em favor de Rio de Janeiro/São Paulo e até Curitiba, e o quão pouco em favor de Acre/Rondônia/Mato Grosso/Mato Grosso do Sul. Nunca antes alguém havia me agradecido por estarmos nos apresentando ou pela nossa presença.

Ainda não há um show de lançamento previsto para Curitiba. Acompanhe a página do Veenstra no Facebook para saber das novidades.

Legenda original: "Agradecemos aos txais do Centro de Cultura e Pesquisas Medicinais Huwa Karu Yuxibu por terem nos acolhido. Ali vivemos o momento mais sublime de nossa viagem. Haux haux!" - Foto: Reprodução/Facebook

Legenda original: “Agradecemos aos txais do Centro de Cultura e Pesquisas Medicinais Huwa Karu Yuxibu por terem nos acolhido. Ali vivemos o momento mais sublime de nossa viagem. Haux haux!” – Foto: Reprodução/Facebook

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