Beer, seus trampos e um certo pessimismo

Foto: Lyrian Oliveira – Studio Tenda

Willian Pelacini, bem mais conhecido nos bares da cidade como Beer, tem lá o seu modo de ver as coisas. Beer, que não é o cara mais otimista do pedaço, lançou, no comecinho de março, o single Porque És Una Mierda.

“Não sei para onde está indo o meu estilo de composição”, escreveu ele no Facebook ao lançar a nova música. “Mas estou feliz por estar buscando um som sempre diferente do normal. Esta música se chama Porque És Una Mierda em função da vida ser realmente uma merda e de, a cada dia, eu me certificar mais disso. A produção foi feita pelo grande Barkley Louis no estúdio Caveira Furada e esta é a canção que abre meu novo álbum, que vai de vento em popa.” Ouça:

Porque És Una Mierda foi lançada pelo selo Caveira Furada Records. Mas Beer tem seu próprio selo: o Super Trampo Records. O músico entrou em contato com o blog para divulgar esse trabalho e eu pedi mais informações sobre o selo e outras coisas que ele já fez nas quebradas musicais até aqui. Beer respondeu com um resumo breve e bem detalhado, que mostra como a intensidade da vida dele se mistura com as próprias composições.

Deixo, abaixo, as palavras do rapaz:

Com 18 anos, eu já estava montando o Repossíveis. Gravamos um EP em 2010 chamado Vou beber até o fim e, em 2014, lançamos nosso álbum Oficina Vazia, Cabeça do Diabo, que eu considero algo que talvez eu só tenha conseguido fazer naquele momento da minha vida: as músicas eram pesadas, com letras que eram às vezes simples, às vezes absurdas. É um misto de emoções. Quando o Repossíveis deu um tempo, eu me dediquei a outros projetos, como as minhas músicas solo e também ao Renegados do Folk. No meu primeiro EP solo, chamado Epifania, eu mudei um pouco o estilo de composição, mas também nessa época eu passei por um internamento por dependência química. As músicas desse EP foram compostas por mim e por um brother que eu conheci lá dentro chamado Cristiano Rodolfo, e algumas músicas também foram compostas depois. Nunca mais tive contato com esse maluco, que, ao meu ver, tinha muito talento.

Quando saí, conheci o músico Gege Valentino, uma figura ímpar desse cenário e nós viramos amigos logo. Ele me apresentou aos integrantes da banda Pinéia e, aí, montei os Renegados do Folk, me juntei à Andressa Novak, ao Chacal Freak e ao Fel Andreoli pra tocar as músicas que o Gege fazia. Nós tocamos bastante por Curitiba e, em 2015, lançamos o EP Sobre Cavalos, Carroças e Pessoas. Meu último trabalho foi meu disco solo chamado Sub Existência, que gravei de forma caseira, assim como o Epifania. Nesse meio tempo, criei o selo Super Trampo Records, uma espécie de base para futuros lançamentos. Em parceria com a Ana Sato, lancei meu disco e também alguns clipes que nós produzimos, e também tivemos a oportunidade de lançar o disco de comemoração dos 15 anos da banda Repúdiyo no final de 2016.

Pra mim, todos os meus trabalhos têm um significado dentro dos acontecimentos que se seguiram na minha vida, mas o Sub Existência eu acredito ser o que mais me ilustra. Por meio dele, é fácil entender o que se passa na minha cabeça. E a timbragem saiu do jeito que mais me agradou até agora, algo sujo e pesado, repleto de lembranças em todas as músicas e que, a cada dia que eu ouço, me parece um pouco diferente conforme o tempo passa.

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