Um rolê pela “Saga do Cavaco Profano” do Machete Bomb

A Saga do Cavaco Profano, novo lançamento do Machete Bomb, vinha rodeado de alguma expectativa para quem é fã da pesadíssima banda curitibana. O disco já tinha sido lançado oficialmente em uma festa que rolou em dezembro; na semana passada, ele chegou nas redes, e valeu a espera.

Machete Bomb é como se Tom Morello tivesse encontrado um cavaquinho e Zack De La Rocha, por coincidência, estivesse do lado bem nessa hora, tomando uma cerveja numa noite gelada na Trajano Reis. E, em A Saga do Cavaco Profano, essa mistura que já vinha consagrando o grupo agora está ainda mais pesada e agressiva.

Ouvi o disco umas três vezes e, na quarta, fui escrevendo o que dava na telha sobre cada música. Dê o play e acompanhe:

Tiro e Queda – A saga já começa com pedrada. É um ótimo cartão de visita para o que vem no resto do disco, ao misturar cavaquinho sambando, baixo pesando e voz rimando: “Sou um pacifista violento”. Não sei exatamente o que isso significa, mas o som empolga bastante.

Fatcap – Gosto quando há tantos efeitos na guitarra ou no baixo (e, aqui, no cavaquinho) que não dá nem pra reconhecer o som original do instrumento. É o caso nessa faixa, e remete bastante ao Rage Against The Machine, que é uma das principais influências do Machete Bomb. Aqui está o refrão mais grudento do EP: “O meu mais sincero foda-se a vocês” vai ficar na sua cabeça por horas.

Juntos – Que loucura, tem uma música meio latina aqui. E ainda tem rap, óbvio. São duas participações especiais: o americano Slick The Misfit e o argentino Reacción Ekis. Um rolê de cavaco saindo de Curitiba, passando pelo Caribe, visitando os EUA e terminando no Rio da Prata.

Giroflex – POW! A faixa mais curta e mais pesada do disco. Narra uma madrugada gelada nas ruas do São Francisco, e é óbvio que a queridíssima polícia apareceu para mandar um salve.

Sem Colete – Depois da porrada em Giroflex, uma parada para um respiro. Este é o ponto mais calmo de toda essa Saga – isso porque nem é uma música tão calma assim. Participação especial de Dow Raiz e de BingMan (do Cabo Verde!).

O Contra-Ataque – Volta o peso total, agora com a participação especial de Alienação Afrofuturista. Mesmo com as distorções estourando, os acordes em tom maior traz alguma sensação de positividade que te deixa curioso e com vontade de ouvir de novo pra tentar entender melhor qualé a dessa música.

Temporada de Caça – Melhor escolha para encerrar o disco. Criticando a corrupção, “os congressista vagabundo”, “o vendedor de milagre que faz o povo de refém” e mais uma pá de coisas que fazem o Brasil ser o que é, ou o que está sendo neste momento. Indignação estourando junto com o refrão aqui, e se o “foda-se a vocês” de Fatcap ainda não grudou na sua cabeça, Temporada de Caça vai fazer esse trabalho.

Foto: Vinicius Grosbelli / Divulgação

Um baita disco que, por enquanto, está só no Spotify. Vale a pena ir no show dos caras – eles tocam dia 09 de abril no Grito Rock Araucária. Acompanhe a página deles no Facebook para saber de mais novidades.

Envie seu som e sua ideia de post ou sugestão de pauta para defenestrandoblog@gmail.com

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