Categoria: Entrevistas

O que, raios, está acontecendo com o Paramore? [Def-RelevO #05]

O Defenestrando mantém uma coluna mensal meio maluca sobre música ou o que mais der na telha no Jornal RelevO. Se você não sabe, o RelevO é um jornal literário produzido em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, e distribuído gratuitamente em várias cidades do país. Abaixo, segue o texto da coluna da edição de setembro. Mês que vem, tem mais. (Leia as colunas anteriores aqui)

Foto: Reprodução

Alguns dias atrás, vagando pelo tempo e espaço e pelos canais da TV à cabo, parei na MTV, atordoado com um clipe esvoaçante e colorido de uma música alegre e festiva. Achei que era o Ting Tings (lembra?), porque, bem, a pegada era a mesma: músicas para tocar em bares alternativos da noite curitibana com muito ahazo e bateção de cabelo. Porém, qual não foi a minha surpresa ao aparecerem os créditos ao final do vídeo revelando que a banda era nada mais e nada menos do que Paramore?

Tratava-se de Hard Times, música que é um dos singles do novo álbum After Laughter. Foi um pequeno susto para mim, porque as últimas lembranças que eu tinha da banda de Hayley Williams eram os hits The Only Exception (uma balada triste) e That’s What You Get (um rock adolescente). Fiquei confuso e, para tentar esclarecer um pouco a bagunça mental que acabara de se instalar, fui conversar com o Rômulo Candal, jornalista, entusiasta de Paramore, colaborador da editoria de música no site A Escotilha e integrante do coletivo de literatura Obscenidade Digital.

Músico frustrado: O QUE RAIOS ESTÁ ACONTECENDO COM O PARAMORE?
Rômulo Candal: Rapaz, acho que a mesma coisa que acontece com a maioria das pessoas que passam dos 25, 26 anos: viraram adultos. A idade vai chegando, a gente escuta sons diferentes e leva umas porrada da vida. Acaba crescendo, né?

Mas… então. Você considera que fazer músicas saltitantes e clipes bastante coloridos indiquem amadurecimento? Digo isso porque acredito que um caminho recorrente sejam bandas surgirem fazendo músicas alegres e depois envelhecerem com canções mais comedidas. Mas, como o Paramore surgiu com canções mais tristes… Seria uma quebra de paradigmas?
Acho que o excesso de cores e o desapego pelas distorções e músicas rápidas podem significar um crescimento, sim, no sentido de romper com uma estética que já era associada a eles. Porque, para um grupo de jovens roqueiros que só usavam preto, branco ou cores neutras, se assumir pop e colorido é um indicativo de que, no mínimo, passaram a aceitar outras coisas. Se isso é bom ou ruim, vai de cada um – no caso do Paramore, achei corajoso e positivo pra caralho.
E apesar desse lance dançante e visualmente alegre, as letras não seguiram o mesmo rumo. Pega, por exemplo, Hard Times, o primeiro single desse último disco: o instrumental é uma festa oitentista mas a Hayley tá cantando sobre chegar no ponto mais baixo, falando que “tempos difíceis vão fazer você se perguntar por que ainda tenta”. Tem uma dualidade massa.

Rapaz! Aí você tem um ponto. Você já acompanhava a banda desde os discos anteriores? Se sim, sentiu algum sinal de que uma mudança como essa estava por vir? DID YOU SEE THAT COMING?
Acho que o Paramore do começo chegou meio atrasado pra mim. Eu gostava do primeiro disco do Panic! At The Disco e algumas coisas do My Chemical Romance, mas, na época, já estava saindo dessa onda meio emo. Não gosto muito dos dois primeiros álbuns do Paramore, então ignorei a trajetória, até quando assisti ao clipe de uma música chamada Brick by Boring Brick e achei surpreendentemente foda. Aí, ouvi o disco que tem essa faixa (Brand New Eyes, é o terceiro álbum deles) e curti bastante. O som vinha puxando cada vez mais para o pop e demonstrando alguma mudança, mas eu estaria mentindo se dissesse que não fiquei surpreso quando escutei o disco de 2013 e encontrei sintetizador, umas pitadinhas de funk americano e uns coros meio gospel. E não imaginava também que After Laughter, esse novo, fosse se afastar tanto do rock.

Obrigado pelo depoimento! Agora, preciso fazer uma PROVOCAÇÃO. Sei que há um disco inteiro por trás, mas, referindo-me exclusivamente aos dois clipes do álbum novo: por mais que eu tenha tentado contra-argumentar a mim mesmo, não consegui não achar que tanto a música como o visual se aproximam MUITO do Ting Tings cantando Shut Up and Let Me Go e That’s Not my Name. Até o visual da Hayley: cabelo descolorido com a franja caindo nos olhos, óculos escuro… O jeito de dançar… Considerando que o Ting Tings foi há quase dez anos (2008, por aí), teria o Paramore chegado quase uma década atrasado na distribuição de crachás de hipster? Ou eles já estariam antevendo um revival desta falecida tribo urbana? Ou não é nada disso e eu tô viajando?
Hahahaha. Eu acho que você faz algum sentido, sim. O cabelo da Hayley tá bem parecido mesmo, e a primeira música também lembra a pegada do Ting Tings, só que melhor. RISOS. Mas acho que o disco todo passa uma impressão um pouco distinta, porque tem várias influências bem diferentes ali – tem até uma faixa que me lembrou No Doubt. A própria Told You So, que foi o segundo single, eu já acho mais pra The XX do que The Ting Tings, cê não acha?
Hard Times provavelmente teria feito um baita sucesso se tocasse no VU ou no James lá nos idos de 2009, de fato, mas acho que é um caso mais de influências comuns do que influência direta. Acho que dialoga, sim, com o Ting Tings, mas como puxa mais pro pop mainstream, não parece exatamente uma referência. Parece, isso sim, que a fonte de onde o Paramore atual bebe pra compor é a mesma de bandas como o próprio Ting Tings, The XX, Killers, e outras bandas ali de uns 10 ou 15 anos atrás: tem Talking Heads, tem Blondie, tem até Daft Punk.

Olouco. Confesso que, na correria desta vida louca, não consegui ouvir After Laughter com toda a atenção do mundo, então não esperava tudo isso de referências. Enfim. Vi que o Zac Farro, um dos integrantes da formação original, voltou pra banda. O que achou disso?
Pra mim é indiferente, acho. Hahaha. É o que eu falei antes: como os dois primeiros discos do Paramore não são importantes pra mim, acaba que não bate nem uma felicidade por nostalgia. O batera que gravou o penúltimo álbum era um músico de estúdio contratado, e era muito bom. O Zac, esse que voltou agora, é menos refinado, mas dá e sobra pro tipo de som que eles fazem. No fim, eu faço questão mesmo é da Hayley e do guitarrista dos últimos três álbuns, o Taylor, que é meio que o “cabeça” da parada.

O que você tem a dizer às pessoas que se referem ao Paramore como Para-morre?
Que segundo fontes confiabilíssimas (uma página chamada sitedecuriosidades.com), “O ódio é o oposto do amor e pode comprometer a saúde física e emocional dos seres humanos”. Melhor chamar de Per-amore.

Mais alguma coisa que você gostaria de acrescentar?
Eu gostaria de acrescentar que PARAMORE É BOM D+ e agradecer pelo espaço concedido para espalhar a palavra por aqui.
Aproveito pra sugerir que os amigos ouçam uma canção deles chamada Ain’t It Fun que descreve quase tudo que falei antes, porque é um pop tão caprichadinho que dá gosto de escutar. Beijos!

Entrevista Francisco, El Hombre: “Não nascemos pra ser muro em branco”

Foto: Rodrigo Gianesi / Reprodução – Facebook

Com algum entusiasmo, Francisco, El Hombre chega a Curitiba para um show no John Bull Pub nesta sexta-feira, dia 28 – na ocasião, também se apresenta o combo uruguaio Cuatro Pesos de Propina (juntas, as bandas têm excursionado por Brasil, Argentina e Uruguai). Os ingressos esgotados com antecedência dão o tom de um certo reboliço em torno da banda braso-mexicana, que cresceu em projeção e quantidade de fãs em pouquíssimo espaço de tempo: se, no ano passado, Franscisco, El Hombre coube dentro da pequena garagem da Arnica Cultural, neste 2017, o grupo se apresentou no Psicodália para uma multidão que sabia as letras e as cantava a plenos pulmões, culminando em um dos melhores shows do festival.

Em maio, foi a principal atração do palco alternativo do Coolritiba e promoveu uma performance memorável, embalando o público com refrãos contagiantes: “O dólar vale mais que eu, eita, fudeu“; “Já sei pra onde vou: eu vou sentir o calor da rua“; e um “Não vou descansar, vou até o sol raiar” que, ao vivo, transforma-se em “…até o Temer derrubar”.

Com letras que dão forças e melodias que incendeiam, Francisco, El Hombre e o álbum Soltasbruxa dão um calor no coração de quem tem esperanças em um mundo um pouco mais positivo, e a partir daí é possível começar a explicar o repentino crescimento do grupo.

Viagens explicativas à parte, conversei por e-mail com o baixista Rafael Gomes. Vem:

Tenho acompanhado a banda desde o ano passado e é impressionante como a projeção de vocês tem crescido rapidamente nesse curto espaço de tempo. Como isso tem reverberado aí do lado esquerdo do peito de vocês?
É bem louco, hein? Ninguém esperava isso quando tudo começou há um tempo atrás, sabe​?​ A gente só queria conhecer uns lugares novos e a música era a melhor desculpa. Acontece que é muito difícil passar por essa experiência de se jogar na estrada e passar ileso. A curiosidade de conhecer o mundo já fez com que o destino ensinasse muita coisa pra gente. ​Sempre cantamos coisas nas quais acredit​ávamos​, porque era o que saía naturalmente do peito. Ver, com o tempo, o quanto isso também era importante pra outras pessoas tem sido muito energizante. Muitos de nós achávamos que dentro de​ pouco tempo iríamos estar fazendo qualquer outra coisa da vida que não a música, mas resolvemos assumir essa responsabilidade que é dar voz a pensamentos que sabemos que não são só nossos, mas de tod​a​ uma geração de descontentes. Não nascemos pra ser muro em branco.

​​No clipe de Triste, Louca ou Má no YouTube, há vários comentários de mulheres que se sentiram bastante tocadas de alguma forma com a música. A banda já se vê obrigada a assumir algum protagonismo nesse aspecto? Ou isso tem surgido de forma espontânea?
Isso sempre veio espontaneamente. A música surgiu como um desabafo da Ju [Juliana Strassacapa, vocal e percussão], antes de mais nada. Nem ela, nem ninguém achou que teria a repercussão que teve. Cada um dentro da banda aprendeu muito desde a primeira vez que lemos a letra, mas​,​ principalmente​,​ quando v​i​mos esses relatos e percebemos quanto a nossa sociedade tem muito a caminhar ainda em direção a uma vivência sem opressões.

​​Francisco, El Hombre assume um posicionamento político bem definido em uma época de polarização. Vocês já tiveram algum tipo de problema com isso?
Vez ou outra a gente encontra uns comentários raivosos pela internet, mas nada que a gente ​sinta como um problema real, mesmo. ​Apesar de ironizarmos questões que acreditamos serem absurdas (como o fato de em pleno 2017 elegermos o congresso mais conservador desde 1964​ – c​oincidentemente, o ano do outro golpe), nossa via é e sempre vai ser a do diálogo.

Ainda sobre política… é possível olhar com algum otimismo para o futuro próximo? Ou estamos perdidos?
Enquanto houver esperança, vai existir um outro futuro​, m​as temos que trabalhar nisso. Unirmo​-nos​ uns aos outros, construir um futuro mais lindo, pleno em respeito e com menos desigualdades.

​​Como é a relação de vocês com a galera de Curitiba? Conhecem bandas e artistas daqui? O que gostam na cidade?
A gente ama Curitiba! Por um tempo ficamos muito chateados de não conseguirmos vir aqui com a frequência que gostaríamos (risos), mas ultimamente isso tem sido diferente e enchido nossos corações de amor! Fortalecemos muito amizades que ​têm ​sido cada vez mais importantes pra gente​,​ como a Bruna Lucchesi (Yanay), Bernardo Bravo, Orquestra Friorenta, toda a Trupe Arnica – Trombone de Frutas, Mulamba, Bananeira Brass Band, A Banda Mais Bonita da Cidade, etc… Fora amizades mais antigas – da nossa época mais punk – como o pessoal do Abraskadabra e Lou Dog.

Francisco, El Hombre no Coolritiba – Foto: Coagula / Reprodução – Facebook

​​A apresentação do Francisco, el Hombre no festival Coolritiba foi um show e tanto. O que podemos esperar do show no John Bull Pub (em um espaço menor e mais quentinho)?
Calor e amor! A gente ama estar perto da galera e poder cantar a uma só voz.

Planos de um disco ou novos lançamentos para breve?
A gente tem produzido muita coisa nos últimos tempos​.​ Aqui o bonde não páááára… Pra essa turnê com o Cuatro Pesos de Propina, produzimos um split​,​ ​​ROMPEFRONTERA, ​no qual​ cada banda reinterpretou, em sua linguagem, uma canção da outra banda. Fizemos nossa Minha Revolução e eles regravaram Calor da Rua. Vamos participar de uma coletânea argentina reinterpretando A Ponte, originalmente da galera do La Franela. Tem um som barulho bom aí no forno que produzimos com o pessoal do Zaíra e, bom… dizem que ainda esse ano tem coisa nova. O que vem por aí? Só o universo sabe!

Serviço:
Francisco, El Hombre e Cuatro Pesos de Propina em Curitiba
Local: John Bull Pub – Rua Mateus Leme, 2204
Data: 28 de julho de 2017
Abertura da casa: 22h
Ingressos esgotados
Página do evento no Facebook

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Marrakesh conta sobre tocar no Primavera Sound, em Barcelona

Marrakesh – Foto: Reprodução/Instagram

Entre o finalzinho de maio e o começo de junho, a banda curitibana Marrakesh simplesmente viajou para Barcelona e se apresentou no Primavera Sound, reconhecido como um dos maiores e melhores festivais de música de que se tem notícia. Foi uma bela surpresa: afinal, apesar das ótimas músicas, o Marrakesh ainda está bem longe de ter uma grande projeção, e não é todo dia que uma banda do Paraná integra o mesmo lineup que gente como Arcade Fire, Bon Iver, The XX, Solange, Grace Jones, Van Morrison e mais uma galera do tipo. (Elza Soares, Liniker & Os Caramelows, Tiê e Seu Jorge tocando Bowie em português foram alguns dos brasileiros que também participaram do festival).

Para matar a curiosidade, conversei com o Bruno Tubino, um dos integrantes do Marrakesh, para saber sobre como foi essa experiência. Olha:

Como que surgiu esse negócio louco de tocar no Primavera Sound?
Veio do nada, a gente recém tinha lançado o nosso single de tributo a Vinicius de Moraes, o Canto de Ossanha. Estávamos 100% focados em compor nosso álbum novo quando recebemos o convite da Balaclava Records para enviar nosso material para o pessoal do Primavera Sound. A gente já achou uma pira ter a chance de se apresentar fora do país com um lineup recheado de artistas geniais (que, por coincidência, eram os artistas que mais estavam nos inspirando na época) e ser aprovado foi uma surpresa. A ficha não caiu até a hora em que subimos no palco, haha.

E para fazer isso se concretizar? Foi difícil arcar com os custos da viagem?
Viajar com uma banda (com seis membros na equipe) para fora do país é uma grana, foi tenso, mas conseguimos fazer as coisas acontecerem e aproveitamos bastante cada segundo (e cada centavo) gasto, haha.

Como foi o show? E como é tocar em um festival como o Primavera?
A gente se preparou bem e apresentou um material novo pra galera na Europa. As músicas nem estavam prontas, mas pagamos para ver a reação das pessoas. Acho que em todos os pontos possíveis, foram as duas melhores apresentações da Marrakesh. A recepção do som la fora foi bizarra (no bom sentido). Os equipamentos e o suporte técnico que o artista tem no festival também são cinco estrelas!

O que achou da galera em Barcelona? Vocês fizeram uns contatos, conheceram umas bandas?
O pessoal lá é extremamente educado e respeitoso quando o assunto é assistir um show. Pudemos ver vários shows maravilhosos e presenciar o respeito da galera perante os artistas no palco. A gente tinha acesso a áreas que outros artistas também tinham, então inevitavelmente encontramos alguns ídolos, tipo King Krule, The Growlers e Pond, e por aí vai.

Vocês chegaram a fazer mais shows na Europa?
Infelizmente, não rolou. Quando fomos aprovados para o festival, já estava em cima da hora para marcar uma tour que valesse a pena. O pessoal na Europa tem esse costume de marcar shows com bastante antecedência. Vai ter que ficar pra proxima 🙂

E quais os próximos passos do Marrakesh?
Temos apenas um show marcado em SP dia 29/07 no MIS (Museu da Imagem e do Som). É um evento chamado Music Video Festival. O lance lá vai ser fazer o lançamento de um documentário da viagem, em parceria com a U+MAG, uma revista digital que tem nos apoiado nos últimos meses. Em paralelo a isso, vai rolar um bate-papo com a gente e um show pra fechar o rolê, fora vários outros shows fodas. Depois disso, vamos focar em terminar a produção e gravação do álbum e lançar ele até o fim do ano.

Foto: Reprodução/Instagram

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Entrevistão: Daniel Zanella, editor do Jornal Relevo

Daniel Zanella, editor do Jornal Relevo

Daniel Zanella é o criador e editor do Jornal Relevo, um jornal literário mensal distribuído em Curitiba e região metropolitana e enviado para outras cidades do estado e do país. O Relevo – também grafado como RelevO – destaca-se por uma postura audaciosa: se manter e editar um jornal impresso gratuito por seis anos já não é pouca audácia, Zanella e sua publicação não têm medo de ligar o foda-se, ora fazendo piadas expressivamente ousadas nas páginas centrais, ora tirando sarro de si próprios escancaradamente, ora publicando uma capa com um trocadilho visual envolvendo genitais (a arte está nesta página, continue a leitura para encontrá-la).

Zanella estava na minha turma na faculdade e, por isso, eu pude testemunhar o Relevo crescendo, amadurecendo e se expandindo – e sempre abrindo espaço para que jovens autores publicassem suas criações. Sempre tive alguma vontade de sentar com ele para uma entrevista-conversa e perguntar coisas como, por exemplo, o motivo da inusitada prestação de contas na segunda página (que revela que anunciar no Relevo é bastante barato para um jornal desse porte).

A entrevista ocorreu entre uma dose de cataia e uma partida de sinuca no bar do Pedro Lauro, o PL, no dia 2 de novembro de 2016. Como um realizador repleto de histórias e opiniões, Daniel Zanella vai longe a cada resposta, fala de tudo um pouco, conta sobre os bastidores de um dos principais jornais literários do Paraná, revela pequenas mágoas e, provocado, fala até sobre política. Se arrume aí na cadeira, que a leitura é longa.

Já são seis anos de jornal Relevo?
A primeira edição saiu em setembro de 2010. Então, agora são seis anos e dois meses. Eu estava na metade do segundo período de Jornalismo na Universidade Positivo. A primeira edição saiu com oito páginas, mil exemplares, cinco autores e distribuição na UP, na Biblioteca Pública, na Secretaria de Cultura de Araucária e na Biblioteca de Araucária. E na banca de jornal que a minha irmã mantinha na época. Eu lembro de ter conseguido dois anunciantes: um deles era a Exato Cursos Pré-Vestibular, que era de um amigo meu, e o outro era de uma loja de calçados de um empresário que também era meu amigo. Cada um deu cem reais, acho, e, com esse dinheiro, eu paguei a gráfica. Eles garantiram que iriam anunciar por pelo menos três meses. Então, com aqueles três meses garantidos, pensei: “Dá tempo de fazer o jornal se sustentar caso esses anunciantes desistam depois disso”. E foi a partir disso que o jornal foi crescendo. No final do primeiro ano, ele já cresceu para doze páginas. No segundo ano, chegou a 16 páginas e, no quarto, foi a 32 páginas. Mas aí houve um aumento nos custos de gráfica e percebemos também que a dificuldade que dava para fechar um jornal de 32 páginas não valia a pena, então recuamos para 24 páginas. Isso foi em 2014 e, desde então, mantemos esse mesmo formato.

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