Categoria: Programação

DefNews #01: Katze, Mulamba, Audac, Darlene Lepetit, Lux Mundi

DefNews é o boletim de coisas que eu deveria colocar em posts separados, mas que eu me enrolei, perdi a hora certa de publicar e acabei juntando tudo em um post só (tudo isso, óbvio, referindo-se ao universo da música alternativa em Curitba). Vamos lá:

* * *

Katze é o projeto solo de Katherine Finn Zander, uma das integrantes da girl band Cora. Ela prepara o lançamento de seu EP de estreia: Moon Phases of a Relationship está previsto para chegar ao mundo ainda neste mês (tem mais informações sobre isso lá no site da Vista). Em meados de fevereiro, ela soltou o vídeo de Waxing Moon, o primeiro clipe do projeto. Ilustrando bem o que a canção tem de indie eletrônico suave, o vídeo foi produzido pelos Rasputines e protagonizado pela própria Katherine e seu dog, o Lobo – “Um cachorro como poucos: oferecido, derretido e que nunca passa despercebido. Logo, o melhor indivíduo para protagonizar esse clipe, que conta a história do começo de uma relação com um cara que lembra muito um dog fofo e vira-lata, desses bem sem-vergonha”, diz a descrição do vídeo no YouTube.

A Mulamba também prepara o lançamento de seu primeiro EP. O compilado deve sair no máximo até o fim do semestre, mas a faixa Provável Canção de Amor para a Estimada Natália foi lançada na última edição da revista digital QRtunes. Clique aqui para ter acesso à revista – mas você vai precisar de um leitor de QR code para conseguir ouvir a música. A Mulamba é uma das bandas mais impactantes a surgir no cenário curitibano nos últimos anos e, enquanto o resto do EP não é lançado, eu aproveito para avisar por aqui que, no último fim de semana, bati um papo sensacional com a violoncelista Fer Koppe, uma das integrantes do grupo – e o resultado dessa conversa será publicada em forma de entrevistão aqui no blog. Em breve, num Defenestrando perto de você.

Mulamba no QRtunes – Imagem: Reprodução

Darlene Lepetit já tem uma das músicas mais grudentas do ano: Passinho da Passiva é o primeiro single da cantora – e a canção é tão divertida quanto o clipe que a acompanha. O vídeo foi gravado com dançarinas e dançarinos fazendo os movimentos que lhes dão na telha em frente à câmera e em meio aos cenários mais variados da cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Eu já estou aqui te avisando que, se você der play no clipe abaixo, o refrão vai ficar grudado na sua cabeça por um ou dois dias:

O Audac andava sumido, mas, finalmente, houve um sinal de vida: no último domingo (12/03), a banda publicou uma foto no Facebook com seus integrantes no estúdio Gramofone, em Curitiba. “Agora é de verdade! Em abril, sai um single”, dizia a legenda. O grupo está com a formação bem diferente em relação à que participou da gravação do primeiro disco, homônimo, deliciosíssimo, lançado em 2014 e produzido por Gordon Raphael (The Strokes, Regina Spektor).

Foto: Reprodução / Facebook

Tem rolê legal em Curitiba neste sábado (18/03): Lux Mundi, um festival dearteano. Quem já foi ao DeArtes, sabe do universo paralelo que é o campus da UFPR localizado bem no meio do Batel – agora, imagina um festival durante uma tarde inteira lá. “No dia 18 de março, universitários, artistas, universitários artistas, artistas universitários e seres mágicos abrirão um buraco no espaço-tempo para fazer dessa festa uma verdadeira luz no mundo de Curitiba”, diz a descrição do evento. Haverá shows com as bandas Obake, Os Freakadélicos, Pompeu & Os Magnatas e Expresso Vermelho, além de discotecagem, oficinas, performances e graffiti. Ingressos antecipados já estão à venda por R$ 15 e o evento é restrito a maiores de 18 anos. Confirme presença e saiba mais no Facebook.

Imagem: Reprodução / Facebook

Entre em contato e mande o seu som ou sua ideia de post/sugestão de pauta no e-mail defenestrandoblog@gmail.com

“Música do Dia”: Canções, álbuns e artistas reunidos em um livro afetivo

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Por quase dois anos, tive a honra e o privilégio de ter um trabalho dos sonhos: criava playlists, resenhava discos e redigia notas sobre acontecimentos musicais dos mais diversos – e ainda era remunerado por isso. Essa loucura acontecia no Power Music Club, um serviço de streaming de música oferecido pela antiga GVT. O site depois mudaria de nome para PMC e, mais tarde, se transformaria no GVT Music, até ser dissolvido quando a GVT foi comprada (e também dissolvida) pela Vivendi, empresa detentora da Vivo.

Nesse período, tive também o privilégio de conviver com o jornalista Alessandro Andreola: detentor de uma bagagem musical invejável, Alessandro escrevia algumas resenhas que fugiam completamente do óbvio e revelavam muitas coisas abaixo da superfície de cada música ou álbum analisado – o que resultava em textos que eram, ao mesmo tempo, altamente informativos e agradáveis de ler.

Foram mais de quatro anos no PMC. Desse período, Alessandro selecionou 96 textos que agora estão reunidos e impressos em Música do Dia: Um Guia Afetivo de Canções, Álbuns e Artistas (Editora Barbante). O livro também conta com 15 ilustrações de Clayton Junior, que já fez animações para a MTV, capas de disco para o incrível selo norte-americano Verve e artes para as não menos incríveis revistas The New Yorker e Monocle.

Uma das ilustrações de Clayton Jr para Música do Dia

Uma das ilustrações de Clayton Jr para Música do Dia

Haverá um evento de lançamento afetivo de Música do Dia nesta quinta-feira, 23/02, às 19h na Itiban Comic Shop, com direito a um bate-papo sobre o livro com Alessandro Andreola e Clayton Junior. Para servir de estímulo à sua presença, segue um trecho da primeira crônica do livro, que é sobre a clássica Stay, do Oingo Boingo:

No meu tempo, o Oingo Boingo era banda de surfista. E, para um moleque criado com as memórias do seriado Armação Ilimitada, isso era sinônimo de coisas “radicais” (para ficar em um termo que, na época, não parecia tão bobo). Nesse espírito, em 1989, a trupe liderada por Danny Elfman era presença constante nas rádios brasileiras e sua música conquistou toda uma geração de adolescentes. Para nós, parecia que o Oingo Boingo era a maior banda do mundo — só que, claro, ela não era.

O Boingo foi o típico caso de grupo que fez mais sucesso no Brasil do que no resto do mundo. Fora Weird Science, que só virou hit por estar na trilha do filme de mesmo nome (no Brasil, Mulher Nota 1000), ele nunca frequentou o primeiro time do pop gringo. Mas aqui foi outra história.

A banda já tinha seus seguidores, porém o verdadeiro estouro se deu quando a telenovela Top Model utilizou Stay como a canção-tema da rapaziada praieira da trama. Não era uma música nova: ela havia sido originalmente lançada no álbum Dead Man’s Party, de 1985. Graças à novela, Stay se tornou um hit tardio, que inclusive batizou uma coletânea feita exclusivamente para o mercado brasileiro — a capa trazia o desenho de um esqueleto em cima de uma prancha de surfe, em um claro exemplo de como a mídia enxergava a estética do rock.

Tem um evento no Facebook no qual você pode confirmar sua presença.

Serviço:
Lançamento e bate-papo sobre o livro “Música do Dia”, com o autor Alessandro Andreola e o ilustrador Clayton Junior
Local: Itiban Comic Shop – Avenida Silva Jardim, 845 – Centro – Curitiba (PR)
Data: 23 de fevereiro de 2017, às 19h

“Rekòmanse”: Livro e exposição mostra o recomeço dos haitianos no Brasil

Foto: Brunno Covello

Foto: Brunno Covello

O fotógrafo curitibano Brunno Covello prepara o lançamento de Rekòmanse – Outras faces, outras histórias, livro fotográfico que registra a trajetória do povo haitiano em busca de um recomeço, seja em Curitiba (onde, estima-se, vivem cerca de oito mil haitianos) ou em sua terra natal. O evento de lançamento do livro acontece na próxima terça-feira, 21/02, no Museu da Fotografia, ali no Solar do Barão, na Rua Presidente Carlos Cavalcanti. O serviço completo está no final deste post.

Rekòmanse é um projeto que levou mais de três anos para ser concluído. Covello começou esse mergulho em 2014, quando ainda era fotógrafo da Gazeta do Povo e começou a fazer reportagens sobre questões de imigração e direitos humanos. “No geral, essas pautas eram bem densas e tratavam de situações de preconceito e xenofobia contra os imigrantes haitianos”, contou ele ao Defenestrando.

“E isso começou a me incomodar um pouco. Não tanto pelos assuntos em si, mas parecia que a gente estava focando apenas nos problemas e nas dificuldades dos caras. E eu comecei a pensar em fazer algo que fosse além disso: não deixar de mostrar os problemas, mas mostrar também as outras histórias e faces da imigração haitiana aqui”, disse.

A partir daí, Brunno iniciou um processo de imersão. Visitou festas promovidas pelos haitianos, fotografou casamentos, eventos e situações cotidianas, como o trabalho e a religião. Depois de algum tempo, o projeto ganhou corpo e foi selecionado para o mecenato subsidiado de Curitiba. Com o dinheiro do incentivo, pôde fazer o caminho inverso ao dos seus fotografados e viajou ao Haiti.

Foto: Brunno Covello

Foto: Brunno Covello

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Psycho Carnival chega à 18ª edição e continua tocando o terror

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O Psycho Carnival vem aí, promovendo o maior caos do sul do mundo e usando o psychobilly para tocar o terror no carnaval curitibano. Marco de uma incrível resistência e longevidade, o festival teve sua primeira edição em 2000 e, agora, será realizado pela 18ª vez.

Em 2017, o Psycho Carnival retorna ao palco do Jokers Pub e continua seguindo a sua tendência já mais do que consolidada de trazer os maiores nomes do psychobilly mundial para Curitiba – o que lhe garante um lugar entre os maiores festivais do gênero em todo o mundo e uma cadeira cativa entre os principais eventos alternativos do carnaval brasileiro. Tem gente que atravessa o país para ver todas as bandas do lineup concentradas em quatro dias de programação, e neste ano não será diferente.

The Meteors e The Long Tall Texans (ambas do Reino Unido), a americana The Phantom Rockers e a argentina Jinetes Fantasmas encabeçam a parte internacional da escalação. “The Meteors são conhecidos como os reis do psycho e são importantíssimos para a cena e para a formação do que hoje chamamos de psychobilly. Eles praticamente forjaram o estilo”, explicou Vlad Urban, produtor do evento (e um nome que já é praticamente sinônimo de Psycho Carnival), no release oficial que divulga o festival.

“Foi formada em 1980 e lança discos praticamente todos os anos.” Os Long Tall Texans também são importantíssimos. “Eles vêm lá de 1984. E também são uma formação histórica que pegou o olho do furacão da criação do gênero”, diz Vlad.

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Com entrada gratuita, espetáculo “Delicadas Embalagens” volta à cena

Foto: Elenize Desgeniski/Divulgação

Foto: Elenize Desgeniski/Divulgação

A partir desta segunda-feira, 06/02, a CiaSenhas de Teatro volta a encenar o espetáculo Delicadas Embalagens. A peça estreou no Novelas Curitibanas em 2008 e passou pelo Fringe do Festival de Teatro no ano seguinte – ocasião em que foi escolhida como um dos cinco melhores espetáculos da mostra por uma equipe de críticos e jornalistas. Em 2017, Delicadas Embalagens volta aos curitibanos depois de uma esticada até Roraima e Amazonas, estados por onde a companhia circulou graças ao Prêmio FUNARTE – Myriam Muniz de Teatro.

“A condução do espetáculo é feita por quatro atores que narram e vivenciam a intimidade e as perdas de uma família formada por pessoas muito jovens”, diz o release do espetáculo. “São adolescentes que, trôpegos, educam suas duas filhas e tentam administrar, ao seu modo, uma vida adulta repleta de solicitações. São seres imersos em conflitos familiares.”

Revelando diferentes ângulos e pontos de vistas dos mesmos fatos, a peça convida o espectador a participar de um universo sensível recheado de pequenas surpresas. Como em outras produções da CiaSenhas, a plateia acaba sensibilizada e torna-se cúmplice do que acontece em cena.

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Foto: Elenize Desgeniski/Divulgação

Colabora para isso o fato de que, nesta curta temporada, a peça estará em cartaz na sede da CiaSenhas, um espaço que foge ao padrão dos teatros tradicionais e que aproxima ainda mais os espectadores da trama. Delicadas Embalagens terá entrada franca e ficará em cartaz até o dia 15/02, com sessões às segundas, terças e quartas-feiras.

Aprovado em um programa estadual de incentivo à cultura, Delicadas Embalagens irá passar também por cinco cidades da região metropolitana de Curitiba (Araucária, São José dos Pinhais, Colombo, Pinhais e Campo Largo), nas quais a companhia oferecerá oficinas gratuitas de formação de plateia para estudantes de Ensino Médio e EJA. As datas para essas cidades ainda não foram confirmadas.

Aproveite para confirmar presença na página do evento.

Serviço:
Delicadas Embalagens
Local: Sede da CiaSenhas de Teatro – Rua São Francisco, 35 – São Francisco – Curitiba
Data: De 06 a 15 de fevereiro de 2017
Apenas nas segundas, terças e quartas, às 19h30
Entrada franca – Ingressos serão distribuídos com meia hora de antecedência – apenas 35 lugares por sessão
Classificação indicativa: 12 anos

Feira Grampo dá espaço para zines e publicações independentes em Curitiba

Arte: Marcelo Romero

Arte: Marcelo Romero

A quarta edição da Feira Grampo de Publicações Independentes acontece neste fim de semana em Curitiba. Promovido pela Selva Press, o evento rola no sábado, dia 04/02, a partir das 13h no Atelier SOMA, no centro da cidade.

Segundo os organizadores, a feira será 100% autoral, apresentando zines, pôsteres, impressos, originais e publicações de todos os tipos. Serão mais de cinquenta artistas, coletivos e editoras com seus trabalhos à disposição do público – incluindo a importante Lote 42, de São Paulo.

Estelle Flores, uma das sócias da Selva Press (estúdio independente especializado em impressão risográfica), contou ao Defenestrando que a ideia para o evento surgiu após ela voltar de uma participação na Feira Plana, na capital paulista:

Eu participo de um grupo chamado Zine XXX, que reúne várias minas que fazem zines no Brasil. Elas fizeram uma banquinha na Feira Plana pra disponbilizar só o trampo das mulheres, uma parada bem feminista mesmo. Fui pesquisar sobre o que era a feira, achei massa, fiz um zine em quinze dias e levei pra lá. Quando cheguei na feira, pirei, e eu e o Marcelo (que hoje é meu sócio na Selva) resolvemos que iríamos tentar fazer uma feira legal como aquela em Curitiba.

Primeira edição da Feira Grampo, em abril de 2015. Foto: Igor Romko/Reprodução - Facebook

Primeira edição da Feira Grampo, em abril de 2015. Foto: Igor Romko/Reprodução – Facebook

Na volta, eles organizaram a Feira de Bolso, que aconteceu na Praça de Bolso do Ciclista, quando esta ainda estava em construção. O evento foi um sucesso e a dupla resolveu continuar organizando eventos do tipo. Além da Feira Grampo no Atelier SOMA, a Selva Press também promove a Feira Printa, no Espaço Das Nuvens.

O objetivo foi dar espaço para as pessoas de Curitiba conseguirem vender suas produções. Meu sonho é contribuir para o crescimento desse cenário na cidade, fazer com que mais pessoas conheçam o objeto zine e que artistas descubram essa maneira de vender a sua arte.

Digamos que, para vender a sua arte, você tenha que vender um quadro. E um quadro é muito dificil de vender e comprar. É muito mais fácil você vender cem zines de dez reais do que um quadro de mil reais. Acho que o zine também vem para diminuir o espaço que muitas pessoas colocam entre elas e a arte. Espaços convencionais costumam colocar um gap enorme entre o espectador/consumidor de arte e a própria arte, colocando ela quase que num espaço inatingível para poder valorizá-la. Eu gosto da quebra que uma feira como essa promove, porque ali o artista está sempre disponível, e as coisas que estão ali são acessíveis.

Além criar um espaço mais informal para a venda de arte, a ideia também é poder proporcionar o desenvolvimento dos participantes, que entram em contato com outros trabalhos e artistas e ficam inspirados: “A gente vê uma evolução brutal nos artistas que participam desde as nossas primeiras feiras”, diz Estelle.

A partir de agora, a Grampo deve acontecer duas vezes por ano, assim com a Feira Printa. Esperançosa de ver aumentar a quantidade de de zineiros e artistas participantes, Estelle diz que também tem buscado trazer artistas de outras cidades aos eventos que organiza, fomentando assim o diálogo e o fluxo de trabalhos.

Tem mais informações sobre a Feira Grampo lá na página do evento.

Serviço:
Feira Grampo de Publicações Independentes
Local: Atelier Soma – Rua Brigadeiro Franco, 2137 – Centro – Curitiba
Data: 04 de fevereiro de 2017, sábado, a partir das 13h
Entrada franca