Yanay começa turnê europeia e fará workshop na Berklee College

Yanay

Yanay – Foto: Divulgação

Enquanto o Marrakesh passa o fim de semana em nenhum outro lugar a não ser o classudíssimo festival Primavera Sound, em Barcelona, outra banda curitibana acaba de começar uma turnê europeia: a Yanay leva a experimentação de seu disco de estreia para um rolê por Espanha, Portugal e Itália.

O coletivo formado por Bernardo Bravo, Bruna Lucchesi, Catarina Schmitt, Isis Odara e Du Gomide começou com um show na última sexta-feira (02) no Liber Arte, em Madrid. Na terça-feira, o conjunto parte para Barcelona e, uma semana depois, faz uma trinca com três datas em Valência. No dia 17, Yanay vai ao Porto, em Portugal; depois, em julho, corta o Mediterrâneo para shows em Trento (no dia 08) e em Torino (no dia 12).

Em Valência, o combo ministrará um workshop no campus local da Berklee College of Music. O assunto será o processo de residência artística que a banda promoveu em junho de 2016 e que deu origem ao disco de estreia da banda. Diz o material de apresentação:

O primeiro encontro os encaminhou a uma fazenda na fronteira do Paraná com o Mato Grosso do Sul, lugar em que os processos se estabeleceram durante uma semana. O único direcionamento dado ao processo criativo foi a escolha das linguagens com as quais o grupo tinha mais afinidade. A execução do projeto resultou da convivência e confluência de conteúdo poético-musical de cada um dentro desse processo coletivo, borrando fronteiras entre conceito e criação.

Em Valência, além do workshop, a banda fará dois shows no campus da Berklee e uma terceira apresentação junto com os alunos. Acompanhe o Facebook do grupo para saber das novidades desse belo rolê europeu. E aproveite para ouvir o disco:

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A Banda Mais Bonita da Cidade: disco novo já está no ar!

A Banda Mais Bonita da Cidade - De cima do mundo eu vi o tempo

A Banda Mais Bonita da Cidade está de volta e com disco novo: De Cima do Mundo Eu Vi o Tempo foi liberado nas principais plataformas de streaming na madrugada desta sexta-feira (02). É o terceiro álbum do grupo curitibano – lá se vão quatro anos desde O Mais Feliz da Vida, e outros seis anos desde aquela tarde em que o clipe de Oração viralizou nas redes sociais.

À uma primeira ouvida, De Cima do Mundo Eu Vi o Tempo vem com uma certa cara de épico. Uma mistura de percepção da beleza e das grandezas do mundo com a época extremamente ansiosa que temos vivido. Certamente, não sobram mais tantas alegrias, sorrisos e flores como acontecia em 2011.

É um disco profundo o suficiente para não se entregar na primeira audição, mas também instigante o suficiente para te prender e não te deixar ir embora logo de cara. Esse costuma ser o ponto de partida para grandes trabalhos, mas vamos precisar de mais algumas ouvidas e mais alguns tantos meses de fermentação em nossos canais auditivos para confirmá-lo. No geral, há bastante emoção: preste atenção em Trovoa, de Mauricio Pereira; A Pé, de Thiago Ramalho; e Tempo, de Lívia Humaire e Markus Thomas.

A Banda Mais Bonita da Cidade planeja um lançamento em grande estilo: Uyara Torrente e companhia apresentam o novo disco no dia 30 de junho no grande auditório do Teatro Positivo! Há mais informações lá na página do evento no Facebook. Antes, no dia 17, o grupo lança De Cima do Mundo no Tom Brasil, em São Paulo.

Ouça na íntegra no YouTube:

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Drake, não roube a minha banda. [Coluna Def-RelevO #02]

O Defenestrando mantém uma coluna mensal (de qualidade bastante questionável) sobre música ou o que mais der na telha no Jornal RelevO. Se você não sabe, o RelevO é um jornal literário produzido em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, e distribuído gratuitamente em várias cidades do país. Abaixo, segue o texto da coluna da edição de abril. Em maio, tem mais.

Drake, More Life

Sr. Drake,

Espero que o Sr. esteja feliz. Espero que o Sr. esteja tranquilo e feliz, no sossego da paz de espírito do trabalho de divulgação de seu novo disco, esse tal de More Life, que o Sr. acabou de lançar.

Não sei bem quem é o Sr. e nem o que o Sr. deseja fazer da sua vida. Mas gostaria de fazer um pedido ao Sr.: não roube a minha banda de mim.

O Sr. sabe muito bem do que eu estou falando. O Sr. começou a primeira faixa desse seu disco novo com um sample do Hiatus Kaiyote. O Sr. deve saber, imagino, que o Hiatus Kaiyote é uma banda australiana completamente aleatória. Que eles lançaram um álbum ótimo chamado Tawk Tomahawk em 2012. Que, em 2013, eles foram indicados ao Grammy na categoria Melhor Performance R&B pela canção Nakamarra, com a participação do Q-Tip, do grupo A Tribe Called Quest. Que, quando isso aconteceu, foi um fato bastante aleatório, primeiro, porque o Hiatus Kaiyote não faz R&B; segundo, porque a banda era completamente desconhecida na época e a própria imprensa australiana publicou umas notícias dizendo “Que banda australiana é essa que foi indicada ao Grammy e a gente nem conhece?”. Que, em 2015, eles lançaram um segundo álbum chamado Choose Your Weapon e que, de repente, a banda ficou grande, apesar de que esse álbum é bem menos interessante do que o primeiro. Foi aí, imagino, que o Sr. conheceu o Hiatus Kaiyote.

O Sr. não sabe, no entanto, que eu estava lá desde muito antes do Sr.

Em 2013, quando eu vi, perdida nos rincões da internet, a capa completamente psicodélica de Tawk Tomahawk com um coiote raivoso e insano, onde o Sr. estava? Quando eu ouvi o disco pela primeira vez e declarei o meu amor imediatamente e decidi me casar com o Hiatus Kaiyote da mesma maneira que Borat decide se casar com Pamela Anderson, o que o Sr. estava fazendo? O Sr. provavelmente estava cantando Started from the bottom now we here em todas as principais cidades da América do Norte e da Europa.

Mas o Sr. fique sabendo que começar a carreira aos 15 anos em uma novela na TV canadense não é exatamente começar lá de baixo.

O Sr. fique sabendo que, em 2015, o Hiatus Kaiyote veio fazer um show em São José dos Campos em um festival com quatro bandas; que eu tive que dar um jeito de sair mais cedo do trabalho, pegar um avião até São Paulo e um ônibus até São Bernardo; que ninguém do público conhecia o Hiatus Kaiyote quando eles foram a última banda a subir ao palco; que eles fizeram um show lindo, mas que, no final, eu percebi que eles não iam tocar Lace Skull, a minha música favorita na época; que eu fui até a beira do palco e pedi educadamente para a vocalista Nai Palm para que eles tocassem essa música; que essa mulher maravilhosa piscou para mim e fez um sinal de joinha; que a banda saiu do palco e, quando voltou para o bis, Nai Palm, sorrindo, falou que eles iriam tocar uma música que fazia tempo que não tocavam, e que esta música seria dedicada a uma pessoa; que depois disso, ela apontou para mim; que ela olhou para mim várias vezes durante a música; que eu não sabia exatamente como reagir enquanto isso tudo acontecia; que, após o show, eu fui tietá-los ao lado de várias pessoas que não conheciam a banda mas ficaram maravilhadas com o som; que uma tiazona estava completamente alucinada com a banda e não parava de elogiá-los; que eu contei para essa tiazona que eu tinha vindo de Curitiba só para ver o show e que ela ficou ainda mais alucinada depois disso; que ela se virou para a banda e falou que eu tinha pegado um voo de seis horas só para ver o show; que eu não sei de onde essa tiazona tirou essa informação; que após ela dizer isso, a banda ficou super feliz e fez questão de tirar uma foto comigo; que, depois de tudo isso, eu não cabia em mim mesmo e que voltei, literalmente, saltitando de alegria pelas ruas até o hotel onde eu iria dormir; e que, antes de dormir, postei a foto no Instagram e, mais tarde, a banda deu um “like” nela.

Perceba então, Sr. Drake, que a banda é muito mais minha do que sua.

Quem é você para abrir o seu disco com um sample da minha banda e sair por aí se pagando de descoladão?

Você não é descoladão, Sr. Drake. Você nunca nem será tão descolado quanto Dr. Drake Remoray, de Days of Our Lives.

Sr. Drake, eu pesquisei na internet e descobri que o seu nome completo não é Drake Remoray. Eu descobri o que o seu nome completo, Sr., é Aubrey Drake Grama. E se eu descobri o seu nome completo, o Sr. nem imagina das coisas que eu sou capaz de descobrir por aí. Isso é uma ameaça? O Sr. entenda isso como o Sr. quiser. Mas é melhor o Sr. ficar de fora disso.

Sr. Drake, eu já tive uma banda uma vez. Era uma banda daqui de Curitiba que era só minha. Mas eu perdi ela para uma garota que eu estava apaixonado. Ela foi comigo a um show e, em vez de ela se apaixonar por mim, ela se apaixonou pelo guitarrista. Foi muito triste. Agora o Sr. vem e me rouba o Hiatus Kaiyote. Agora só falta o Sr. entrar na minha casa e roubar o Kraftwerk.

(Ah, o Sr. não vai me roubar o Kraftwerk, tenho certeza disso. Se o Sr. colocar Kraftwerk em alguma de suas músicas, eles vão lhe processar. Eles vão lhe cobrar milhões de dólares. Eles vão lhe arrancar até esses casacos feios que o Sr. gosta de vestir).

O Sr. fique sabendo que esse seu disco novo é muito chato. Tirando as faixas Get it Together e Madiba Riddim, que são legais, até.

Drake, o Sr. é um bobão.

Atenciosamente,
Felipe

DefNews #02: Cabes, Unbelievable Things, Guilherme Mattar, Marcos Ussan

Vários vídeos novos em uma tacada só!

Imagem do clipe de Cansadão, do Unbelievable Things

Ricardo Cabes – ou só Cabes, mesmo – está com um clipe novo: O Kit Faz Bang. Pesadona, planejada para as pistas, a música faz parte de um um álbum inédito que, segundo o que o próprio MC está divulgando nas redes sociais, será lançado pelo selo Track Cheio nesta sexta-feira (14/04). A música O Kit Faz Bang foi produzida Ganesh Toresin e conta com a participação especial de Mariana Barros. O clipe foi dirigido por Felipe Oliver Arnoso:

Quem também está com um clipe novo é o power trio Unbelievable Things. Não só um clipe, mas um EP inteiro: chama-se Wasted Time, conta com três faixas e foi lançado pelo selo Nap Nap Records em março. Uma dessas três músicas atende pelo nome de Cansadão, e o vídeo dela acaba de ser disponibilizado na grande rede de computadores. O clipe conta com cenas gravadas em Maringá e Londrina. O grupo faz show no 92 Graus na semana que vem no dia 21/04, sexta-feira, e você já pode confirmar presença aqui no evento.

Em janeiro, o músico Guilherme Mattar lançou um EP ao vivo: Positivando é o registro de quatro músicas voz-e-violão apresentadas por ele no Teatro Positivo, na abertura do show que Lenine e Maria Gadú fizeram juntos em 2016. Com uma pegada deveras otimista – ou, pelo menos, bastante suavezona – o EP está disponível para audição na íntegra no YouTube. Aliás, Mattar acaba de soltar um registro em vídeo da faixa Intolerância e Incompreensão, cuja letra fala sobre a polaridade que marcou o país durante as eleições de 2014.

Passeando entre o rock e o blues, o guitarrista e compositor Marcos Ussan tem divulgado uma série de vídeos com suas composições próprias. O mais recente deles é Ficar; em março, ele já havia soltado o registro ao vivo de Às Vezes; e outros três vídeos dessa mesma sessão ainda devem vir por aí. No currículo, Ussan acumula uma passagem pelo Festival de Blues de Antonina e uma participação no show do bluesman americano Tail Dragger.

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De Rodrigo Stradiotto a Rosanne Machado em três músicas

Fotos: Divulgação – Reprodução/Facebook

Rodrigo Stradiotto é produtor, compositor e um dos ex-integrantes do Woyzeck, clássica banda dos anos 90 em Curitiba. Solo, Stradiotto tem um projeto chamado Paddy Flinn is Dead, no qual experimenta algumas combinações eletrônicas bastante interessantes. Respondendo por esse nome, ele acaba de lançar uma música nova: G’L Doses. Conforme o próprio músico avisou em sua página no Facebook, do nome ao formato, a canção é uma referência a uma das histórias em quadrinhos que mais o impactou: Moonshadow, de J.M. DeMatteis.

Ouça (e aproveite para conferir o teaser classudo divulgado no Facebook):

 

Desde o ano passado, Rodrigo tem tentado armar algumas parcerias para o Paddy Flynn is Dead. No comecinho de dezembro de 2016, ele soltou uma versão para a música Chino, originalmente lançada por Rosie Mankato em 2013. “Havia uma versão original da Rosie. Eu criei uma nova harmonia, uma outra estrutura rítmica, outras melodias paralelas, uma nova canção, enfim. Mas as linhas de voz já existiam. Isso ajudou bastante, já que eu e ela corremos um monte com outros trabalhos”, contou ele ao Defenestrando.

O resultado ficou interessante e bem diferente da gravação original. Confira Chino (Paddy Flynn is Dead Version):

 

Rosie Mankato é Rosanne Machado, conhecida pelo Rosie & Me – outra banda clássica de Curitiba, mas destes anos 10. Em março, a cantora, compositora e produtora lançou uma nova gravação: Don’t Be Jealous of My Boogie, uma cover de RuPaul. “Este é o meu tributo a todas as pessoas que foram tocadas pelo universo de RuPaul’s Drag Race”, escreveu ela, ao apresentar a cover – que chegou a ser compartilhada por RuPaul em pessoa. Para Rosie, RuPaul’s “é muito mais do que um reality de drag; é sobre autoconfiança, sobre não levar a vida tão a sério e sobre se manter se fiel a quem você é em todos os aspectos da vida.”

Confira o vídeo de Don’t Be Jealous of My Boogie:

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Entre folk e blues, Watch Out for the Hounds estreia em grande estilo

Foto: Paulo Rorschach / Divulgação

O álbum de estreia do Watch Out For The Hounds está no ar: XIII foi disponibilizado na internet no dia 30/03, uma semana depois de a banda tê-lo apresentado em um show no Paço da Liberdade. São treze faixas formando um compilado que poderá servir de um belo cartão de visitas para o grupo – com este disco, os Hounds podem muito bem ir traçando seu caminho não só Brasil afora (já tem até matéria na Billboard e no Tenho Mais Discos Que Amigos), mas por outros países também.

Há potencial para impacto: canções como Children of Caligula e Little Bird poderiam muito bem cair nas Descobertas da Semana do Spotify de alguém de qualquer parte do mundo que ouça Of Monsters and Men ou Mumford & Sons – mas quem sai ganhando, no caso, são os próprios Hounds, já que essas canções alçam voos maiores e mais cativantes, tendo mais chances de agradar a desavisados.

A combinação de piano, violoncelo e violino está bastante interessante, dando um fôlego para toda a mistura de folk americano, música celta, blues, um pouco de indie e até alguma dose de música cigana.

Incendiada em blues, Gasoline é a canção mais explosiva. Tanto que até foi lançada como o primeiro single do álbum, ganhando um belíssimo clipe, lançado antes mesmo de XIII:

Uma das coisas que mais gosto no disco é a mistura meio indiscriminada das letras em inglês em português: XIII está quase todo em inglês, mas há vários versos em português espalhados aqui e ali. Guia Para o Perdido já abre o álbum mostrando essa soma; Cidade do Meio também usa desse expediente; e, no fim, o resultado dessa chacoalhada é uma agradável confusão mental – é como se você estivesse sentado em um pub escuro, levantasse para ir no banheiro e descobrisse que bebeu mais do que imaginava.

Com produção impecável, a estreia do Watch Out for the Hounds já se posiciona como um dos grandes lançamentos do ano em Curitiba. Principalmente para quem gosta de passear pelas intersecções entre o folk e o blues.

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