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“Ouça Este Livro!” 20 playlists preparadas por Cassiano Fagundes

Não sei você, mas eu sempre tive um apreço especial por playlists. Quando ainda era um ABORRESCENTE, aprendi no filme Alta Fidelidade que uma playlist deve ser elaborada com cuidado e pode dizer muitas coisas sobre quem a fez e sobre quem irá escutá-la. Eu cheguei a trabalhar profissionalmente com isso no falecido PMC (o serviço de streaming de música da GVT) e, lá, pude levar essa análise adiante: uma playlist pode fazer um belo recorte musical, histórico e social do tempo em que se vive, do tempo em que as músicas em questão foram lançadas ou… servir apenas para atrair cliques – “ouça os hits do momento!”

Na época do PMC, um dos meus colegas de trabalho foi o Cassiano Fagundes. Cassim, como é conhecido na QUEBRADA, passou por bandas importantíssimas do cenário alternativo curitibano – como o Magog, que fez história por aqui nos anos 90. Roqueiro por natureza e grande conhecedor da música, a cada dia, entre uma playlist e outra, Cassim contava histórias incríveis e enciclopédicas sobre o mundo da música e fazia o trabalho ficar ainda mais divertido.

Esses dois fatores agora estarão combinados em um livro novinho em folha – Ouça Este Livro: 20 Playlists Surpreendentes é o novo título da editora independente Barbante. O impresso traz seleções musicais cuidadosamente preparadas por Cassiano, sempre acompanhadas de histórias inusitadas ou pouco conhecidas da música pop universal e de astros como Bowie, Chuck Berry, Cher, Evis e Jack White, entre outros. Leitores poderão acessar e ouvir as playlists usando QR Codes.

O evento de lançamento acontece nesta quarta-feira, dia 19/07, na Itiban Comic Shop. Haverá um bate-papo no qual Cassiano estará acompanhado do ilustrador Guilherme Caldas, que fez um posfácio em quadrinhos para Ouça Este Livro!. A mediação será da grande Sandra Carraro.

Foto: Reprodução

Serviço:
Lançamento – Ouça Este Livro: 20 Playlists Surpreendentes
Bate-papo com Cassiano Fagundes e Guilherme Caldas – Mediação: Sandra Carraro
Local: Itiban Comic Shop – Avenida Silva Jardim, 845 (Curitiba – PR)
Data: 19 de julho de 2017, quarta-feira, 19 horas
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Cora apresenta dream pop intenso em EP de estreia

Cora – Foto: Reprodução

O grupo curitibano Cora é mais um dos nomes a fazer parte do Coletivo Atlas. Isto, por si só, já seria uma boa credencial, mas o projeto liderado por Kaíla Pelisser e Katherine Finn Zander tem ganhado algum merecido destaque nos últimos meses desde o lançamento do EP Não Vai Ter Cora (ouça no fim do post). O título remete ao Não Vai Ter Copa que tomou as ruas do país quando a Copa de 2014 se aproximava – e este fato cronológico revela bastante sobre o EP: gravado em 2015 quando a banda ainda tinha outra formação, o trabalho só foi liberado nas redes em maio deste ano, após reviravoltas que mexeram com o aspecto pessoal das integrantes e com o próprio grupo.

Daí o nome do disco, alguma espécie de brincadeira com o fato de que ele não saía nunca. Mas, saiu, e ganhou repercussão com palavras bastante atenciosas n’A Escotilha, no Monkeybuzz, no Miojo Indie, no Floga-Se e, mais recentemente, no Trabalho Sujo. Bons sinais? Ótimos sinais.

Não Vai Ter Cora tem uma profundidade que vai da sensualidade de uma capa com um abdômen com a calça desabotoada às letras nas quais o duo se abre de forma tocante a respeito de situações reais e bastante delicadas. A distância entre esses dois pontos é grande, mas o dream pop surge como o veículo ideal para fazer flutuar tanto banda como ouvinte por esse caminho: são cinco faixas que, a cada audição, crescem um pouco mais no ouvido.

Minhas favoritas são Mystic Mirror e Meerkat, as mais pesadonas do EP. Também vale o destaque para o clipe de Calandria, cujo visual retrô combina bem com a sonoridade.

Estive no show da Cora no Palco Atlas durante o Dia da Música (24/06) e vale dizer que a banda está redondinha. Trata-se de um rolê bastante recomendável para quem curte Warpaint e adjacências. Acompanhe a fanpage do grupo para saber quando haverá uma nova apresentação.

E mais!
* O EP solo de Katherine Finn Zander
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Voz e violão com capricho e solidão: conheça Vitor Só

Foto: Divulgação / HAIstudio

Um nome que apreciadores do estilo voz-e-violão precisam ficar ligados: Vitor Só. O curitibano ainda é meio desconhecido no cenário (apesar de sua fanpage no Facebook já ter mais fãs do que a do Defenestrando, hehehe) e, por enquanto, tem apenas uma música lançada oficialmente: À Solidão.

Eu não conhecia o trabalho do Vitor, até que ele enviou essa única canção para o Defenestrando (e-mail: defenestrandoblog@gmail.com). Ouvi com semanas de atraso e… que belíssima surpresa. À Solidão é um ótimo cartão de visita para mostrar o que o rapaz consegue fazer com sua voz quase sussurrada e seus dedilhados precisos, numa mistura que passeia com algum conforto entre as influências de João Gilberto e as canções de apartamento de Cícero.

A faixa foi lançada no começo do ano, e Vitor avisa que pretende lançar um EP quando for possível. Enquanto isso não acontece, fique com essa belezinha que é À Solidão – preste atenção na letra:

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Passeio em pensamentos: novo disco da e/ou é um desafio delicioso

e/ou

e/ou.

“Nascer é mesmo muito doído, não é? Viver é mesmo muito arriscado, não é?” Questionando a vida em cada esquina com acordes quebrados e dissonância (em tempos em que a dissonância se faz bastante necessária), a banda curitibana e/ou coloca no mundo o seu segundo álbum de estúdio.

Lançado em maio em evento na Sala de Atos do SESC Paço da Liberdade, o disco homônimo vem com dez faixas carregadas de pensamentos e meditações, algo como uma caminhada distante pela cidade ao som de voz suave e tranquila, de violão de nylon ressonante, de baixo preciso e bateria cirúrgica. Uma ginga entre o MPB e o jazz. Vale prestar atenção em faixas como Rosto Feio, Sem Título #1, Una y Otra, Até Maio – minha preferida até o momento – e o neo-samba Aquele que Não Veio, que encerra o álbum.

Trata-se de mais um trabalho desafiador lançado pelo selo Onça Discos: e/ou pode parecer meio difícil de engolir à uma primeira audição, mas este é mais um exemplo clássico de som que exige dedicação do ouvinte. A rapadura não é mole, mas será doce para quem se dispôr a mastigá-la; quem ouve gente como Romulo Fróes ou Rodrigo Campos já sabe bem desse tipo de coisa, e o trio curitibano pode ser uma boa descoberta para quem curte esses sons.

O disco, no entanto, não é só música. Há todo um trabalho visual e multidisciplinar que tranforma esse álbum em uma experiência extra-ouvidos. Melhor do que tentar explicar, acho que fica mais fácil transcrever o que o Web Mota escreveu em sua reformuladíssima Musicoteca:

iMPRESSO sONORO é a composição física desse álbum que caminhará por lugares, histórias e mãos. Uma caixa recheada de poesia e arte para experimentação e sugestão da vida, liberadas inicialmente a mais de 200 mãos, todas compostas e construídas pelo grupo. Um coletivo de artistas que se encontraram e permaneceram na história da e/ou em seus processos (…) Sua circulação sugere troca, interação, experimentação, lugares e silêncios de fala, num ilimitável circuito de vida. Quem sabe você em algum momento as encontre por aí.

Abaixo, fique com Rosto Feio, música que abre o disco e serve como um bom abre-alas para todas as faixas que vêm a seguir. Você pode ouvir o álbum na íntegra no Spotify, no Bandcamp da Onça Discos ou na própria Musicoteca.

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Bface lança vídeo e o beat é classudo: ouça “O Infame”

Foto: Reprodução / YouTube

MC, produtor e beatmaker de Curitiba, o rapper Bface está com um som e um clipe novo: O Infame. No vídeo, dirigido por Jorge Henrique Stocker e Gustavo Zanetti, Bface está no rolê pela noite curitibana. Uma das locações é o clássico Cobras Snooker Bar, e rola até um chopp no Cachorro Quente, ali na rua XV. Os beats deliciosos e finíssimos são do Frates.

A letra está na descrição do vídeo no YouTube: “My man, eu tô no barco, você também / Goddamm, esse é o maior problema / ninguém sabe qual é o norte e tem cuzão que não rema”, diz um trecho.

O site RND avisa que o MC está em vias de lançar um novo EP. Em 2016, Bface participou de uma Sextape: um belíssimo menage-a-trois protagonizado também pelos MCs Castanha e Lyn’C. O compilado apareceu na lista dos 60 melhores lançamenos do ano no mesmo RND – um dos maiores e mais importantes portais do hip-hop nacional.

Confira O Infame:

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O fabuloso Campeonato Interdrag de Gaymada

Foto: Isabella Leite / Divulgação

O Festival de Curitiba está chegando! É a 26ª edição do grande evento cultural que sobrou em Curitiba. A programação vai de 28 de março a 9 de abril e os ingressos estão à venda há algumas semanas lá no site oficial do evento.

Como de costume, tanto a Mostra Oficial como o Fringe estão recheados de coisas sensacionais. E aqui vai o nosso destaque para…

O Campeonato Interdrag de Gaymada

Campeonatos costumam ser coisas incríveis, e eles ficam ainda mais gloriosos quando dão um jeito de misturar demonstrações culturais a essas disputas (desde 2010, tentamos fazer isso ao organizar a Taça Allejo, um torneio de Super Nintendo disputado por músicos e integrantes de bandas – falaremos sobre isso em breve).

O Campeonato Interdrag de Gaymada é uma das atrações da Mostra Oficial do Festival de Curitiba e vai ainda além nessa mistura, ao juntar um campeonato ao movimento LGBTQI. Trata-se de uma intervenção promovida pelo coletivo artístico Toda Deseo, de Minas Gerais. É um campeonato de Queimada (por aqui, também conhecido como Caçador) com uma chave de oito equipes de seis pessoas, líderes de torcida, uma DJ e uma juíza. Olha o que diz o release oficial da intervenção:

Os times são formados de maneira espontânea, sem distinção de idade, etnia, tipo físico e, principalmente, identidade ou orientação sexual. A proposta é um espaço de convivência entre diferentes corpos, a partir do tradicional jogo de queimada. Na dinâmica entre as partidas e os intervalos, o coletivo direciona o público com uma serie de performances e manifestos coletivos.

O Toda Deseo é um coletivo de atores mineiros, de Belo Horizonte, envolvido em questões relacionadas às pessoas trans. Habitualmente, o grupo faz suas intervenções em espaços públicos, a fim de que a sociedade se envolva, de forma cultural, com a comunidade LGBTQI. Gaymada já reuniu cerca de 15 mil pessoas em suas edições: jovens, crianças, idosos dispostos a ocupar a praça de um modo diferente, em um ato resistência à heteronormatividade e contra preconceitos de toda ordem.

O Campeonato Interdrag de Gaymada durante a Virada Cultural de Belo Horizonte em 2015 – Foto: Mirela Persichini / Reprodução Facebook

Serão dois campeonatos abertos ao público durante o Festival de Curitiba: dia 29/03, quarta-feira, às 16h na Praça Osório; e dia 30/03, quinta-feira, às 16h no Passeio Público. Tudo é aberto ao público – tanto para assistir como para participar.

Serviço:
O Campeonato Interdrag de Gaymada
29/03, quarta-feira, Praça Osório, 16h
30/03, quinta-feira, Passeio Público, 16h
Entrada Franca
Mais informações no site do Festival de Curitiba

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