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Entrevistão: Daniel Zanella, editor do Jornal Relevo

Daniel Zanella, editor do Jornal Relevo

Daniel Zanella é o criador e editor do Jornal Relevo, um jornal literário mensal distribuído em Curitiba e região metropolitana e enviado para outras cidades do estado e do país. O Relevo – também grafado como RelevO – destaca-se por uma postura audaciosa: se manter e editar um jornal impresso gratuito por seis anos já não é pouca audácia, Zanella e sua publicação não têm medo de ligar o foda-se, ora fazendo piadas expressivamente ousadas nas páginas centrais, ora tirando sarro de si próprios escancaradamente, ora publicando uma capa com um trocadilho visual envolvendo genitais (a arte está nesta página, continue a leitura para encontrá-la).

Zanella estava na minha turma na faculdade e, por isso, eu pude testemunhar o Relevo crescendo, amadurecendo e se expandindo – e sempre abrindo espaço para que jovens autores publicassem suas criações. Sempre tive alguma vontade de sentar com ele para uma entrevista-conversa e perguntar coisas como, por exemplo, o motivo da inusitada prestação de contas na segunda página (que revela que anunciar no Relevo é bastante barato para um jornal desse porte).

A entrevista ocorreu entre uma dose de cataia e uma partida de sinuca no bar do Pedro Lauro, o PL, no dia 2 de novembro de 2016. Como um realizador repleto de histórias e opiniões, Daniel Zanella vai longe a cada resposta, fala de tudo um pouco, conta sobre os bastidores de um dos principais jornais literários do Paraná, revela pequenas mágoas e, provocado, fala até sobre política. Se arrume aí na cadeira, que a leitura é longa.

Já são seis anos de jornal Relevo?
A primeira edição saiu em setembro de 2010. Então, agora são seis anos e dois meses. Eu estava na metade do segundo período de Jornalismo na Universidade Positivo. A primeira edição saiu com oito páginas, mil exemplares, cinco autores e distribuição na UP, na Biblioteca Pública, na Secretaria de Cultura de Araucária e na Biblioteca de Araucária. E na banca de jornal que a minha irmã mantinha na época. Eu lembro de ter conseguido dois anunciantes: um deles era a Exato Cursos Pré-Vestibular, que era de um amigo meu, e o outro era de uma loja de calçados de um empresário que também era meu amigo. Cada um deu cem reais, acho, e, com esse dinheiro, eu paguei a gráfica. Eles garantiram que iriam anunciar por pelo menos três meses. Então, com aqueles três meses garantidos, pensei: “Dá tempo de fazer o jornal se sustentar caso esses anunciantes desistam depois disso”. E foi a partir disso que o jornal foi crescendo. No final do primeiro ano, ele já cresceu para doze páginas. No segundo ano, chegou a 16 páginas e, no quarto, foi a 32 páginas. Mas aí houve um aumento nos custos de gráfica e percebemos também que a dificuldade que dava para fechar um jornal de 32 páginas não valia a pena, então recuamos para 24 páginas. Isso foi em 2014 e, desde então, mantemos esse mesmo formato.

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