Marcado: Marrakesh

Marrakesh conta sobre tocar no Primavera Sound, em Barcelona

Marrakesh – Foto: Reprodução/Instagram

Entre o finalzinho de maio e o começo de junho, a banda curitibana Marrakesh simplesmente viajou para Barcelona e se apresentou no Primavera Sound, reconhecido como um dos maiores e melhores festivais de música de que se tem notícia. Foi uma bela surpresa: afinal, apesar das ótimas músicas, o Marrakesh ainda está bem longe de ter uma grande projeção, e não é todo dia que uma banda do Paraná integra o mesmo lineup que gente como Arcade Fire, Bon Iver, The XX, Solange, Grace Jones, Van Morrison e mais uma galera do tipo. (Elza Soares, Liniker & Os Caramelows, Tiê e Seu Jorge tocando Bowie em português foram alguns dos brasileiros que também participaram do festival).

Para matar a curiosidade, conversei com o Bruno Tubino, um dos integrantes do Marrakesh, para saber sobre como foi essa experiência. Olha:

Como que surgiu esse negócio louco de tocar no Primavera Sound?
Veio do nada, a gente recém tinha lançado o nosso single de tributo a Vinicius de Moraes, o Canto de Ossanha. Estávamos 100% focados em compor nosso álbum novo quando recebemos o convite da Balaclava Records para enviar nosso material para o pessoal do Primavera Sound. A gente já achou uma pira ter a chance de se apresentar fora do país com um lineup recheado de artistas geniais (que, por coincidência, eram os artistas que mais estavam nos inspirando na época) e ser aprovado foi uma surpresa. A ficha não caiu até a hora em que subimos no palco, haha.

E para fazer isso se concretizar? Foi difícil arcar com os custos da viagem?
Viajar com uma banda (com seis membros na equipe) para fora do país é uma grana, foi tenso, mas conseguimos fazer as coisas acontecerem e aproveitamos bastante cada segundo (e cada centavo) gasto, haha.

Como foi o show? E como é tocar em um festival como o Primavera?
A gente se preparou bem e apresentou um material novo pra galera na Europa. As músicas nem estavam prontas, mas pagamos para ver a reação das pessoas. Acho que em todos os pontos possíveis, foram as duas melhores apresentações da Marrakesh. A recepção do som la fora foi bizarra (no bom sentido). Os equipamentos e o suporte técnico que o artista tem no festival também são cinco estrelas!

O que achou da galera em Barcelona? Vocês fizeram uns contatos, conheceram umas bandas?
O pessoal lá é extremamente educado e respeitoso quando o assunto é assistir um show. Pudemos ver vários shows maravilhosos e presenciar o respeito da galera perante os artistas no palco. A gente tinha acesso a áreas que outros artistas também tinham, então inevitavelmente encontramos alguns ídolos, tipo King Krule, The Growlers e Pond, e por aí vai.

Vocês chegaram a fazer mais shows na Europa?
Infelizmente, não rolou. Quando fomos aprovados para o festival, já estava em cima da hora para marcar uma tour que valesse a pena. O pessoal na Europa tem esse costume de marcar shows com bastante antecedência. Vai ter que ficar pra proxima 🙂

E quais os próximos passos do Marrakesh?
Temos apenas um show marcado em SP dia 29/07 no MIS (Museu da Imagem e do Som). É um evento chamado Music Video Festival. O lance lá vai ser fazer o lançamento de um documentário da viagem, em parceria com a U+MAG, uma revista digital que tem nos apoiado nos últimos meses. Em paralelo a isso, vai rolar um bate-papo com a gente e um show pra fechar o rolê, fora vários outros shows fodas. Depois disso, vamos focar em terminar a produção e gravação do álbum e lançar ele até o fim do ano.

Foto: Reprodução/Instagram

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Yanay começa turnê europeia e fará workshop na Berklee College

Yanay

Yanay – Foto: Divulgação

Enquanto o Marrakesh passa o fim de semana em nenhum outro lugar a não ser o classudíssimo festival Primavera Sound, em Barcelona, outra banda curitibana acaba de começar uma turnê europeia: a Yanay leva a experimentação de seu disco de estreia para um rolê por Espanha, Portugal e Itália.

O coletivo formado por Bernardo Bravo, Bruna Lucchesi, Catarina Schmitt, Isis Odara e Du Gomide começou com um show na última sexta-feira (02) no Liber Arte, em Madrid. Na terça-feira, o conjunto parte para Barcelona e, uma semana depois, faz uma trinca com três datas em Valência. No dia 17, Yanay vai ao Porto, em Portugal; depois, em julho, corta o Mediterrâneo para shows em Trento (no dia 08) e em Torino (no dia 12).

Em Valência, o combo ministrará um workshop no campus local da Berklee College of Music. O assunto será o processo de residência artística que a banda promoveu em junho de 2016 e que deu origem ao disco de estreia da banda. Diz o material de apresentação:

O primeiro encontro os encaminhou a uma fazenda na fronteira do Paraná com o Mato Grosso do Sul, lugar em que os processos se estabeleceram durante uma semana. O único direcionamento dado ao processo criativo foi a escolha das linguagens com as quais o grupo tinha mais afinidade. A execução do projeto resultou da convivência e confluência de conteúdo poético-musical de cada um dentro desse processo coletivo, borrando fronteiras entre conceito e criação.

Em Valência, além do workshop, a banda fará dois shows no campus da Berklee e uma terceira apresentação junto com os alunos. Acompanhe o Facebook do grupo para saber das novidades desse belo rolê europeu. E aproveite para ouvir o disco:

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Marrakesh regrava “Canto de Ossanha” em versão psicodélica

Marrakesh - Gianfranco Briceño/Divulgação

Marrakesh – Gianfranco Briceño/Divulgação

A Marrakesh é uma das poucas bandas cuja evolução eu pude acompanhar de perto nesses dois anos em que o Defenestrando esteve desativado. Shows cada vez mais maduros e sólidos dão o tom de um quinteto que vai perdendo o medo de mergulhar mais fundo na psicodelia. Em 2016, eles lançaram o EP Vassiliki, um compilado com quatro faixas altamente recomendáveis que apareceu na lista de melhores do ano da música paranaense no site A Escotilha.

Os caras acabam de lançar uma versão para Canto de Ossanha, a clássica pedrada de Baden Powell e Vinicius de Moraes. A canção original está no disco Os Afro-Sambas, de 1966, e, bom, você provavelmente deve conhecê-la.

A gravação do Marrakesh está bastante psicodélica e ácida. É como se o primeiro Canto de Ossanha fosse só um ponto de partida muito cru e inicial para a criação de algo completamente diferente. Ou é como se alguns ETs viessem à Terra e resolvessem fazer um cover de um clássico da música brasileira. À sua própria maneira.

Tem uma matéria no IdeaFixa com mais informações. Lá diz que a banda planeja um álbum para maio deste ano e, se for isso mesmo, todos esses synths da versão de Canto de Ossanha podem ser uma boa pista dos rumos que o Marrakesh está tomando e do que está vindo por aí.

Ouça: